EUA veem avanços em disputa climática com a China

Chefe da delegação americana acredita que discussões progrediram desde Copenhague

Reuters |

AFP
Jonathan Pershing, durante entrevista em Cancún: avanços só acontecerão se China e EUA entrarem em acordo
Os Estados Unidos relataram na segunda-feira avanços na solução de suas divergências com a China a respeito da questão climática, os quais devem dominar a conferência da ONU que ocorre em Cancún.

"Acho que um sucesso aqui só irá emergir se pudermos ambos chegar a um acordo", disse a jornalistas Jonathan Pershing, chefe da delegação norte-americana. "Despendemos muita energia no último mês trabalhando nessas questões em que discordamos, tentando resolvê-las. Minha sensação é que fizemos progressos. Resta ver como esta reunião se desenrolará."

China e EUA são os dois maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa, e se cobram mutuamente medidas mais incisivas para a redução das respectivas emissões.

Esse é apenas um dos atritos entre as duas grandes potências, que têm divergências também a respeito de questões como política cambial, liberdade na internet, repressão no Tibete, direitos humanos e venda de armas a Taiwan.

O representante chinês na conferência climática, Su Wei, foi mais comedido do que seu colega norte-americano ao falar em avanços.

"Tivemos uma discussão muito franca, um diálogo muito aberto com nossos amigos dos EUA, e acho que tanto os EUA quanto a China gostariam muito de ver um bom resultado em Cancún," disse ele à Reuters.

Na sua entrevista, Pershing disse também que o presidente Barack Obama continua empenhando em aprovar uma lei que obrigue à redução das emissões de gases do efeito estufa nos EUA até 2020, para um nível 17 por cento inferior ao das emissões em 2005. Tal meta, no entanto, fica dificultada pela vitória republicana na eleição parlamentar deste mês.

Expectativas modestas
A conferência climática da ONU começou na segunda-feira sob a expectativa de políticos e cientistas de que os quase 200 países participantes alcancem pelo menos um pacote modesto de medidas para enfrentar o aquecimento global. Ministros de Meio Ambiente de mais de cem países devem participar da conferência na semana que vem, e cerca de 25 presidentes e primeiros-ministros também são esperados.

"Nossa relação com a natureza está atingindo um ponto crítico", disse o presidente anfitrião, Felipe Calderón, na abertura do evento, num vigiadíssimo hotel deste balneário mexicano do Caribe. A conferência vai até 10 de dezembro.

Em seu curto discurso na cerimônia de abertura, Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, mencionou quatro vezes a palavra "compromisso" e defendeu um "resultado equilibrado" para o evento.

"Uma tapeçaria cheia de furos não vai funcionar, e os furos possivelmente só poderão ser tapados por meio de compromissos", disse ela, afirmando estar convencida da possibilidade de um acordo.

Um novo fracasso na conferência deste ano lançará sérias dúvidas sobre o futuro do Protocolo de Kyoto, que salienta a importância do mercado de emissões de carbono como forma de controle.

Se o acordo expirar em 2012 sem uma prorrogação ou um tratado substituto, restará uma colcha de retalhos de políticas climáticas nacionais.

Sem a perspectiva de um acordo completo, a ONU tenta promover a criação de um "fundo verde" que ajude nações em desenvolvimento a preservarem suas florestas e a se adaptarem ao novo clima. Outra meta da conferência de Cancún será formalizar o compromisso, assumido por vários países no ano passado, de limitar o aquecimento a 2C acima dos níveis pré-industriais.

Uma possibilidade para a política climática global seria prorrogar a vigência do Protocolo de Kyoto, que exige reduções nas emissões de gases do efeito estufa por parte dos países desenvolvidos.

Os EUA, maior emissor entre os países desenvolvidos, não participam desse tratado.

Os países signatários dizem que aceitariam reduzir ainda mais suas emissões até 2020, substituindo o uso de combustíveis fósseis por energias renováveis, desde que os EUA e grandes economias emergentes, como Índia e China, assumissem a obrigação de também fazer reduções.

Os grandes países em desenvolvimento, no entanto, argumentam que reduzir as emissões - e portanto o consumo de energia - seria prejudicial aos seus esforços de combate à pobreza. Eles alegam que as nações ricas se beneficiaram mais das emissões de poluentes, e por isso deveriam arcar com o ônus de combater a mudança climática.

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