Empresários querem ações imediatas em vez esperar por acordo climático global

Representantes de centenas de multinacionais se reunem em fórum paralelo à COP-16, em Cancún

EFE |

Representantes de centenas de multinacionais concordaram neste domingo no México que o setor privado deve tomar medidas imediatas para reduzir as emissões de carbono e adotar e desenvolver energias renováveis, em vez de esperar que os países cheguem a um hipotético acordo climático global.

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Convidados pelo Governo mexicano para participar do fórum Green Solutions (Soluções Verdes), realizado na cidade de Cancún em paralelo à 16ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP-16), os empresários mostraram os últimos avanços em tecnologias "verdes".

Automóveis elétricos, sistemas de coleta de lixo, captadores de carbono e máquinas para aproveitar a biomassa foram exibidos no fórum, que foi aberto pelo presidente do México, Felipe Calderón. O secretário de economia mexicano, Bruno Ferrari, indicou que as empresas devem explorar "iniciativas de comércio e investimento" que permitam "adotar novas tecnologias e esquemas de produção mais sustentáveis".

O diretor interino da Agência Internacional de Energias Renováveis, Adnan Amin, ressaltou que "não haverá uma solução de longo prazo para o problema da mudança climática" até que seja estabelecido um preço para as emissões de carbono, "mas falta um longo caminho e não podemos ficar esperando".

"Enquanto esperamos um acordo internacional sobre mudança climática, temos que fortalecer um enfoque de baixo (sociedade e empresas) para cima (os políticos)", defendeu Amin. Já Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, destacou que a resposta à mudança climática "deve vir de todos os setores da sociedade e o setor privado tem que estar no centro desta ação".

Por sua vez, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Nobuo Tanaka, avaliou que as empresas não devem esperar um acordo climático porque este "vai demorar". "Se esperarmos mais, o custo de ter uma economia verde com baixas emissões de carbono será cada vez maior", assinalou.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, indicou que é um "bom negócio" para as empresas continuarem adotando tecnologias renováveis e serem mais eficientes em seu consumo de energia. "Temos que nos dedicar a explorar em toda a cadeia produtiva (...) essas atividades que não só reduzem emissões, mas são rentáveis economicamente", apontou.

O presidente da empresa de eletricidade Iberdrola, Ignacio Sánchez Galán, argumentou que as empresas devem atuar contra a mudança climática e não esperar a decisão das autoridades porque "infelizmente nem sempre o tempo político coincide com o empresarial".

Sergio Quiroga da Cunha, presidente para a América Latina da sueca Ericsson, declarou que as empresas podem fazer muito mais, e anunciou que no próximo dia 8 de dezembro em Cancún, o setor das telecomunicações fará um compromisso formal de redução de emissões de gases do efeito estufa.

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