Emissões de gases de efeito estufa registram recorde em 2009

Aumento ocorreu principalmente em relação às emissões de dióxido de carbono e metano

AFP |

A emissão de gases causadores de efeito estufa bateu recordes em 2009, advertiu nesta quarta-feira (24) a Organização Meteorológica Mundial (OMM), subordinada à ONU, a alguns dias da cúpula de Cancún, cuja meta é chegar a um acordo para reduzir este fenômeno, causador do aquecimento global.

"O último boletim (da OMM) demonstra muito claramente que os principais gases de efeito estufa atingiram os níveis mais elevados já observados desde a época pré-industrial", disse à imprensa Jeremiah Lengoasa, secretário-geral adjunto da organização.

A OMM se disse, ainda, preocupada com "uma alta das emissões de metano nas regiões árticas" e o aquecimento global que poderia acarretar.

As concentrações de gás carbônico e metano, dois dos gases de efeito estufa mais abundantes na atmosfera, são as mais preocupantes.

A concentração de dióxido de carbono aumentou 38% desde 1750, situando-se em 2009 em 386,8 ppm (partes por milhão, ou seja, número de moléculas de gás por milhão de moléculas de ar seco).

Segundo a OMM, esta progressão se deve essencialmente a emissões provocadas "pela queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e as mudanças no uso do solo".

Nos dez últimos anos, o movimento se acelerou com um aumento na concentração de CO2 de 1,8% anual, em média.

A OMM se alarmou, ainda, pelo aumento das concentrações de metano, que haviam permanecido estáveis de 1999 a 2006, antes de voltarem a subir entre 2007 e 2008.

O segundo gás mais importante pela persistência de seus efeitos no aquecimento do planeta viu sua concentração atmosférica aumentar 158% desde a Revolução industrial, alcançando 1803 ppm em 2009.

A OMM atribuiu de forma global este aumento das emissões "à criação de bovinos, ao cultivo de arroz, à exploração de combustíveis fósseis e ao descarte de lixo".

No entanto, com relação aos últimos três anos, as origens deste recrudescimento foram mais difíceis de determinar.

"Há duas razões possíveis", explicou a especialista em atmosfera da OMM, Oksana Tarassova.

"Em 2007, houve temperaturas quentes no Ártico que produziram muitas emissões adicionais (de metano), enquanto que em 2007 e 2008 houve um aumento das precipitações nos trópicos", acrescentou.

A OMM ignora qual elemento predominou e se esta tendência prosseguirá este ano.

De fato, o aquecimento do Ártico provoca o derretimento da camada de gelo permanente na superfície, deixando escapar grandes quantidades de metano. Quanto este gás é liberado, sobe até a atmosfera e contribui para intensificar o aquecimento global.

Estas liberações de gases "são extremamente preocupantes; por isso, são objeto de observações intensivas", reforçou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

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