Em marcha lenta, reunião do clima entra na reta final

COP-17 entra na sua segunda semana de negociações, com o objetivo de chegar a um acordo global de redução de emissões

BBC Brasil |

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AP
Manifestantes representando diferentes países e instituções enterram a cabeça em praia de Durban como protesto pela lentidão das negociações da COP-17
Com a chegada de ministros e chefes de governo a Durban, na África do Sul, começa nesta segunda-feira a etapa final da 17ª conferência das Nações Unidas sobre mudança climática.

O encontro começou em marcha lenta, contrastando com a urgência sugerida por pesquisas científicas recentes que apontam para uma aceleração no aquecimento global e aumento recorde de emissões de dióxido de carbono - considerado o principal responsável pelo efeito estufa - nos últimos anos.

Ao fim de uma semana de negociações, o chamado segmento técnico do encontro produziu poucos avanços rumo a uma nova fase de redução de emissões sob o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, mas segundo observadores mais otimistas, as discussões parecem estar no rumo certo .

O problema é que o encontro tem que terminar na sexta-feira e, como brincou um negociador, com a chegada dos ministros "perde-se dois dias de trabalho", já que todos se reúnem na grande plenária para ouvir as declarações dos quase 200 países participantes.

Entenda:
Como acontece o aquecimento global
Quem são os maiores emissores

Perguntas e respostas sobre a COP-17

Enquanto, nas palavras da presidente da chefe das Nações Unidas para o clima,

Christiana Figueres

, o mundo "se arrasta rumo a uma economia de baixo carbono", a dificuldade maior para a segunda etapa do encontro sul-africano será acomodar as diferentes exigências para a continuação do único acordo internacional sobre redução de emissões.


Leia mais sobre as negociações:
ONU vê possibilidade de acordo com pessimismo

Organização afirma que 2011 foi o ano de La Niña mais quente
Canadá diz que Protocolo de Kyoto é "coisa do passado"
União Europeia diz que pacto climático é insuficiente
China "não está otimista" sobre negociações climáticas

Cancún
No ano passado, em Cancún, os participantes concordaram em tomar providências para manter o aquecimento global em 2ºC acima dos níveis pré-industriais, mas ainda não se sabe como isso será possível.

Cientistas afirmam que, para que a meta seja cumprida, seria preciso que as emissões globais de CO 2 começassem a entrar em declínio a partir de 2020, ou seja, teriam que atingir o seu pico antes disso.

No entanto, em vez de estarem em vias de estabilização, elas parecem estar em crescimento acelerado. E os países em desenvolvimento, principalmente, China e Índia são os maiores contribuintes para o aumento das emissões.

O argumento dos Estados Unidos, engrossado por Canadá e Japão, é que um acordo obrigatório de redução de emissões sem estes países (e o Brasil) não teria o efeito desejado.

Essa exigência de metas de redução obrigatórias para os países em desenvolvimento esbarra, no entanto, em forte resistência dos últimos, que afirmam ter o direito de aumentar as suas emissões se isso for garantir o crescimento de suas economias.

Cabo de guerra
Uma das soluções de meio termo que vêm sendo estudadas seria aguardar até 2015 para então fechar-se um acordo que abarcasse todos os envolvidos.

Neste cabo de guerra, a União Europeia tem dado sinais de que estaria disposta a assumir metas obrigatórias em um acordo que previsse a adesão de outros países a partir de 2015 - como uma versão light do Protocolo de Kyoto.

Como a Europa hoje responde por cerca de 10% das emissões mundiais apenas, a ideia foi apelidada por alguns de "Kyotinho".

O mecanismo de incentivo à redução de emissões provocadas por desmatamento, o chamado REDD, também continua emperrado.

Nos próximos dias, segundo observadores, será preciso muita conversa entre os envolvidos para que se chegue a acordos sobre a salvaguardas previstas no mecanismo.

Entre outros detalhes, discute-se de que forma o REDD pode conter salvaguardas para, por exemplo, preservar a biodiversidade e os direitos de populações locais ou indígenas .

Outro tema que avançou lentamente na primeira semana foi a concretização do Fundo Verde para o Clima, outra ideia lançada no encontro de Copenhague e oficializada no ano passado em Cancún.

A ideia é que os países ricos liberem US$ 100 bilhões até 2020 para ajudar os afetados pelas mudanças do clima.

No entanto, o governo americano já se afastou do plano, e organizações ambientalistas denunciam que os países ricos tentaram, ao longo da semana passada, jogar a responsabilidade por estes recursos para a iniciativa privada .

Até sexta-feira, os negociadores terão uma semana cheia. 

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