Em dia final da COP, países caminham para acordo, EUA ainda são incógnita

China e Brasil afirmam que aceitam metas de corte de emissão de CO2. EUA informaram que poderiam apoiar acordo

AFP |

AP
Manifestantes protestam dentro do prédio onde ocorre a Conferência do Clima, no último dia da COP
A conferência da ONU sobre as mudanças climáticas entrou na reta final nesta quinta-feira (8), com avanços na estruturação do Fundo Verde Climático, que ajudará os países do hemisfério sul e um movimento inicial para destravar o ponto central: a definição de um regime legal que comprometa os grandes emissores.

"Temos visto convergência. Estamos vendo um compromisso para escutar e tentar avançar", anunciou o negociador chefe do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo. Os negociadores tentarão chegar a um acordo sobre a criação de um instrumento jurídico que envolva todos os países, acrescentou.

Entenda:
Como acontece o aquecimento global
Quem são os maiores emissores
Perguntas e respostas sobre a COP-17

As divergências giram em torno do que seria a figura legal deste instrumento, que entraria em vigor depois de 2020, e quando se negociaria, informaram vários delegados sob a condição de ter sua identidade preservada.

O objetivo é colocar em um regime legal os compromissos de cortes voluntários das emissões de gases de efeito estufa dos países, que atualmente vão até 2020, e garantir que os esforços continuarão depois.

Atualmente, o único instrumento legal que existe é o Protocolo de Kioto, que obriga 36 países ricos a cortar suas emissões, e cuja vigência expira em 2012.

A União Europeia se disse disposta a não deixar morrer o Protocolo de Kioto, mas exige que os grandes emissores de gases nocivos ao clima se comprometam, com datas, a assinar um acordo similar, obrigatório.

Brasil e China, respectivamente o sexto e o primeiro emissores do planeta, apesar de serem países em desenvolvimento, afirmaram que aceitariam este tipo de compromisso, mas os Estados Unidos, segundos emissores e que nunca ratificaram Kioto, puseram em dúvida esta oferta e resistem em confirmar se assinarão um compromisso legal.

'Não serve de nada ter um fundo se este não é alimentado', disse o premier da Noruega, Jens Stoltenberg.

O negociador americano, Todd Stern, que parecia irredutível, informou esta quinta-feira que poderia apoiar um processo para negociar um novo acordo do clima, mas não deu maiores detalhes.

"Todos os países desenvolvidos que são grandes emissores deveriam assumir a liderança", comprometendo-se formalmente a reduzir as emissões, disse a chefe do G77 + China (bloco que reúne os países em desenvolvimento), a argentina Silvia Merega.

Leia também:
Brasil aceita metas obrigatórias de corte de emissões
Reunião do clima busca denominador comum para substituir Kyoto
EUA negam pressão para adiar acordo climático global

Os negociadores entraram em uma primeira noite de reuniões esta quinta-feira, que poderá se estender para uma segunda-noite na sexta, quando está previsto o encerramento da conferência.

O objetivo das negociações na conferência de 12 dias, que reúne 194 países, é limitar o aquecimento global a 2ºC, com compromissos dos países de cortar as emissões nocivas ao clima (em suas indústrias, na geração de energia ou no desmatamento) e garantir ajuda aos países mais vulneráveis para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

No outro grande tema sobre a mesa em Durban, a estruturação do Fundo Climático Verde, "as questões principais foram resolvidas", informou a ministra do Patrimônio do Equador, Maria Fernanda Espinosa, em entrevista à AFP.

O fundo, anunciado em 2010 e que deve chegar a 100 bilhões de dólares ao ano até 2020 para ajudar os países pobres, estará vinculado à convenção do clima (uma reivindicação dos países em desenvolvimento) e será financiado com recursos públicos e contribuições privadas adicionais, explicou.

As questões principais para a estruturação do Fundo Climático 'foram resolvidas', afirmou, em entrevista à AFP, a ministra do Patrimônio do Equador, Maria Fernanda Espinosa.
Mas os negociadores dificilmente esclarecerão exatamente de onde os recursos virão.

"Não serve de nada ter um fundo se este não é alimentado", disse o premier da Noruega, Jens Stoltenberg.

A crise financeira, que castiga os países ricos, não ajuda as negociações, lamentaram muitos delegados presentes na cúpula.

"Quando se precisa salvar os bancos, bilhões são movimentados, e aqui parece que não haverá dinheiro para as mudanças climáticas", lamentou Espinosa. "A crise reduziu a importância da conferência, não acho que haja algum líder europeu preocupado com o que acontece em Durban", acrescentou.

"Entramos em um período de incerteza econômica, uma era de austeridade fiscal. Mas não posso deixar de destacar até que ponto é crucial que os países desenvolvidos mantenham seus compromissos", pediu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

    Leia tudo sobre: copdurban. mudanças climáticas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG