Cop-16: Protocolo de Kyoto deverá ser decidido só em 2011

Rússia e Japão mantém a posição contrária à prorrogação, mas se comprometem a continuar as discussões

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

Com a Cúpula do Clima chegando ao fim, os países participantes resolveram propor o adiamento de um acordo obrigatório de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa até o ano que vem. No texto básico sobre o segundo período de vigência do Protocolo de Kyoto, não há um compromisso firme. O que se conseguiu foi que se continue a negociar até a próxima Conferência do Clima, na cidade sul-africana de Durban, em 2011.

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“Se matem o status quo, dá um novo impulso as decisões para ver se em Durban a gente consegue superar este momento menos positivo que nos estamos tentando agora nesta área”, disse o negociador chefe do Brasil em mudanças climáticas, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.

Depois da apresentação deste texto básico no plenário da Conferência, os países vão ler o texto para mais para o final do dia aprovar ou não um acordo.

“Não é questão de estar satisfeito, acho que ninguém aqui vai sair satisfeito. Mas estão todos conformes com um resultado em que você identificará coisas positivas ou coisas que você gosta menos mas que aceita, porque você tem compensações”, disse.

O texto final propõe uma decisão enfraquecida sobre um segundo período de vigência do protocolo. Rússia e Japão mantêm a posição contrária ao segundo período, mas se comprometem a continuar as discussões. As metas de redução continuam as mesmas até 2012. Depois deste período a ideia é que se estipulem novas metas para países desenvolvidos e em desenvolvimento. O texto faz uma ponte em o Protocolo de Kyoto e as metas discutidas na Conferência de Copenhague e os números deverão ser discutidos ao longo do próximo ano.

“A ideia é politicamente ter um resultado que assegure a continuidade das negociações para se evitar um intervalo entre o primeiro e o segundo período de compromisso. Isso é importante do ponto de vista político porque a gente concentra os trabalhos”, disse a ministra do meio ambiente Izabella Teixeira

Protocolo de Kyoto
A segunda fase do protocolo de Kyoto é o tema crucial nesta Conferência do Clima. O tratado, que expira em 2012, é o único acordo obrigatório sobre a redução das emissões. Ele exige que quase 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, em 5,2% entre 2008 e 2012. Após este período, ainda não foi estipulado nenhum substituto ao protocolo.

As duas principais críticas ao protocolo de Kyoto estão no fato de Estados Unidos e China, responsáveis por 41% das emissões globais, estarem de fora deste acordo, assim como as metas exigidas no tratado serem muito baixas.

Os Estados Unidos não ratificaram o tratado e a China, assim como outros países em desenvolvimento, têm em alguns casos apenas metas voluntárias de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. De acordo com o painel intergovernamental de mudanças Climáticas (IPCC), o recomendável seria cortar de 25% a 40% das emissões globais comparado ao nível emissões no ano de 1990, que é o ano base do Protocolo de Kyoto.

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