Cop-16: negociadores passam a noite fechando texto básico de acordo

Todos os temas em discussão ainda precisam ser aprofundados, mitigação das mudanças climáticas e protocolo de Kyoto são os mais indefinidos

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún
Noite a dentro: chanceler mexicana Patricia Espinosa coordena plenária menos de um dia de encerramento da COP-16
Às 21h20 da noite de quinta-feira (01h20 horário de Brasília), negociadores se reuniram para apresentar as principais dificuldades nas negociações da Cop-16, em Cancún. A Conferência do Clima (COP-16) termina na sexta-feira e o objetivo é que se possa chegar a um acordo sobre ações contra as mudanças climáticas dentro do prazo da Conferência.

A chanceler mexicana Patricia Espinosa conferiu quais são as principais dificuldades dos temas que estão sendo negociados. Todos eles ainda precisam ser mais aprofundados, mas as áreas de mitigação das mudanças climáticas e o segundo período de comprometimento do Protocolo de Kyoto são as mais atravancadas até agora.

O plano original de Espinosa era que no plenário da noite de quinta-feira fossem apresentados relatórios sobre cada tema da COP-16 para que na sexta-feira se discutisse apenas os acertos finais. Porém, o processo atrasou e, após a apresentação, os grupos voltaram a discutir os temas em salas fechadas para que na manhã de sexta-feira sejam apresentados os relatórios.

De acordo com o negociador chefe do Brasil em Mudanças Climáticas, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, a plenária foi importante pelo fato de dar ainda mais transparência às negociações.

Cada uma das duplas de países que trabalham como facilitadora falou no plenário sobre os pontos que ainda estão em discussão. Os temas de negociação foram divididos entre seis duplas de facilitadores.

Suécia e Granada trabalharam em cima do estabelecimento de metas de longo prazo para frear as mudanças climáticas; Brasil e Reino Unido, sobre o Protocolo de Kyoto; Espanha e Argélia, em adaptação; Austrália e Bangladesh, em financiamento e transferência de tecnologia; e Nova Zelândia e Indonésia, em transparência.

O momento mais aplaudido da plenária foi na intervenção do representante da Noruega que pediu compromisso político das partes. Patricia Espinosa finalizou a sessão dizendo ter a impressão de que um acordo está surgindo.

“Por que não alcançar um entendimento? As notícias que aguardamos dar é que somos capazes de fazer um acordo. Não precisamos ver nossas dificuldades como sinal de fraqueza, isto só está nos fazendo mais fortes. As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios deste século”, disse.

Protocolo de Kyoto

A segunda fase do protocolo de Kyoto é o tema importante nesta Conferência do Clima. O tratado, que expira em 2012, é o único acordo obrigatório sobre a redução das emissões. Ele exige que quase 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, em 5,2% entre 2008 e 2012. Após este período, ainda não foi estipulado nenhum substituto ao protocolo.

Alguns países se posicionaram contra um acordo que firmasse o segundo período do tratado. Já no segundo dia da Conferência em Cancún, Japão anunciou que recusava o segundo período. Logo depois, Canadá, Austrália e Rússia demonstraram o mesmo.

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