Foco das discussões deve ser em como preparar países em desenvolvimento para o aquecimento global

Balão de ar quente do Greenpeace voa perto da pirâmide de Chichen Itza, no México, pedindo
AFP
Balão de ar quente do Greenpeace voa perto da pirâmide de Chichen Itza, no México, pedindo "Salvem o clima"
Começou nesta segunda-feira (29) no México a conferência climática na qual quase 200 países buscarão consensos a respeito dos temas que separam as nações ricas das emergentes.

O evento de duas semanas no balneário de Cancún tentará definir verbas e estratégias para a preservação das florestas e para a adaptação ao aquecimento global. Os negociadores buscarão também formalizar metas existentes para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

A expectativa desta vez é bem menor que na conferência do ano passado em Copenhague, que terminou sem a adoção de um novo tratado climático mundial.

Na véspera da abertura da nova conferência, o presidente mexicano, Felipe Calderón, citou as oportunidades econômicas decorrentes do combate à mudança climática.

"Este dilema entre proteger o meio ambiente e combater a pobreza, entre o combate à mudança climática e o crescimento econômico, é um falso dilema", afirmou ele, ao inaugurar um gerador de energia eólica no hotel que abriga a conferência.

Calderón disse que as conversações irão se concentrar em formas de preparar os países - especialmente os mais pobres - para enfrentarem a mudança climática. "Basicamente, vamos discutir a adaptação", afirmou ele.

Esse comentário irritou negociadores da União Europeia, segundo os quais as discussões devem estar voltadas também para a obtenção de compromissos mais sólidos para a redução de emissões, inclusive por parte dos países em desenvolvimento.

"Vamos buscar um conjunto limitado de decisões em Cancún. Espero que apontemos o caminho para o futuro", disse no domingo o negociador europeu Artur Runge-Metzger.

"Vemos, sim, os contornos de um acordo", afirmou Peter Wittoeck, negociador da Bélgica, país que preside a União Europeia neste semestre.

O objetivo do processo é adotar um tratado mais rígido para o controle climático em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

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