Comissária da UE critica rascunho de acordo em Cancún

Connie Hedegaard afirma que texto não está pronto e refuta informações do Wikileaks sobre cúpula anterior

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

AFP
Connie Hedegaard, da União Europeia: obrigada a responder a alegações do Wikileaks
Para a comissária de ações climáticas da União Européia Connie Hedegaard há muito ainda a ser trabalhado para que uma decisão seja tomada até 10 de dezembro, data prevista para a conclusão da Conferência do Clima em Cancún.

“Temos cinco dias para finalizar as negociações. O rascunho apresentado no sábado ainda não está pronto para ser analisado pelos ministros. Ele está muito longo e cheio de opções. O envolvimento dos ministros será crucial”, disse Connie, que também afirmou não querer mais esperar anos para construir algo possível.

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As opções apresentadas no rascunho sábado foram consideradas vagas por não contam com a presença de números para as metas de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, por exemplo. Na última Conferência do Clima, em Copenhague, o rascunho tinha sido apresentado no quinto dia de reunião, e não no sexto, como foi este ano, além de contar com metas e mecanismos para a redução.

Protocolo de Kyoto
A União Europeia reafirmou hoje (6) que está gostaria que acontecesse a aprovação do segundo período de comprometimento do Tratado de Kyoto, mas com a adesão de mais países, principalmente Estados Unidos e China, os maiores poluidores globais.

“Precisamos que os outros países também se mexam. A decisão não é técnica, é política. Não podemos ter reduções sem aferimento”, disse Connie, se referindo à recusa de países como China de mecanismos externos que aferissem se países estão mesmo reduzindo o que dizem estar, chamados de MRV, (sigla para Mensuráveis, Verificáveis e Reportáveis).

O tratado de Kyoto, de 1997, prevê reduções de emissões de gases do efeito estufa de países desenvolvidos em 5,2% (em relação aos níveis de 1990). O protocolo deixará de valer a partir de 2012 e ainda não há substituto. Estados Unidos, segundo maior poluidor global, nunca ratificou tal protocolo e pretende que em Cancún um novo acordo seja criado e com a participação de todos os países.

Wikileaks chega a Cancún
Perguntada sobre a reportagem do site Wikileaks que relata como os Estados Unidos teriam manipulado o acordo de Copenhague a partir de espionagem e trapaças nas promessas de ajuda, Connie se esquivou. “Eles pegaram partes cortadas desta conversa”, disse.

De acordo com o Wikileaks, Connie teria perguntado para o enviado americano de mudanças climáticas, Jonathan Pershing, se os Estados Unidos precisariam de alguma “contabilidade criativa”, visto que países como Japão e Reino Unido queriam garantias de empréstimo para a criação do Fundo de 100 milhões de dólares para ajudar os países pobres a enfrentar os efeitos da mudança climática, uma tática que publicamente ela se opunha.

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