Ciência, não política, deve nortear reunião de Durban

Chefe do IPCC, Rajendra Pachauri, alerta para risco de Cúpula do Clima ser prejudicada por considerações políticas estreitas

Reuters |

As discussões sobre as mudanças climáticas devem deixar de lado as brigas políticas e se concentrar na crescente ameaça decorrente do aquecimento global, como forma de avançar rumo a um acordo que limite as emissões de gases do efeito estufa, segundo o chefe da comissão climática da ONU.

Negociadores de quase 200 países se reúnem a partir de segunda-feira (28) em Durban, na África do Sul, para duas semanas de discussões. Há poucas esperanças de avanço rumo a um acordo que obrigue as principais economias do mundo a limitarem suas emissões.

A busca pelo novo tratado que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013 já esbarrou em divergências entre nações desenvolvidas e emergentes nas reuniões dos anos anteriores, em Copenhague e Cancún.

Rajendra Pachauri, chefe do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês, um órgão científico da ONU) alertou para o risco de a discussão ser novamente prejudicada por "considerações políticas estreitas e de curto prazo."

"É absolutamente essencial que os negociadores tenham uma exposição continuada e repetida à ciência da mudança climática", declarou ele à Reuters na noite de terça-feira.

"Se fizéssemos isso, certamente haveria um impacto sobre a qualidade e o resultado das negociações, afinal são todos seres humanos, têm famílias, são gente também preocupada com o que vai acontecer nas próximas gerações."

Na sexta-feira, o IPCC divulgou um relatório dizendo que um aumento nas ondas de calor é quase certo, e que provavelmente ocorrerão também mais chuvas, inundações, ciclones, deslizamentos de terra e secas intensas ao longo deste século.

"Tenho medo de que a forma como tudo está estruturado perca de vista essas realidades", disse o cientista indiano, ganhador do Nobel da Paz em 2007.

Ele indicou estar de acordo com a posição dos países em desenvolvimento, que alegam não poder realizar cortes tão drásticos nas suas emissões de carbono quanto as nações desenvolvidas, devido à sua necessidade de se industrializar e combater a pobreza.

Leia maisnotícias sobre acordo climático:
União Europeia mantém proposta de metas mais rígidas para reduzir emissões
Fundo climático segue emperrado poucos dias antes de cúpula da ONU
Planeta está longe de mitigar mudanças climáticas, alerta estudo
México faz apelo a EUA e China sobre acordo climático
Cancún chega a acordo vago e com pendências
Veja cobertura do iG na Cop-16

"Quando você tem 400 milhões de pessoas sem acesso a eletricidade, dá para no século 21 lhes negar a própria base daquilo que o resto do mundo tem vivido nos últimos 150 anos?", disse Pachauri, referindo-se à Índia.

A cada cinco ou seis anos o IPCC divulga relatórios elaborados a partir do trabalho de milhares de cientistas, e que deveriam servir de base para as discussões dos governos. Céticos, no entanto, questionam os dados nesses estudos.

Pachauri disse ainda que será difícil, mas não impossível, que o mundo consiga cumprir sua meta de limitar o aquecimento global a 2C.

    Leia tudo sobre: durbanRajendra Pachauricopdurban

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG