Chefe do IPCC espera 'tempos melhores' para mudanças climáticas

Painel sobre mudanças climáticas, que sofreu críticas no ano passado, acredita que cúpula em Cancún pode ter resultados positivos

AFP |

O ano de 2010 foi terrível para as mudanças climáticas e também para o IPCC, grupo de cientistas que analisa o fenômeno, mas o presidente do organismo, Rajendra Pachauri, espera que tempos melhores venham pela frente.

"Há sempre altos e baixos e é preciso aprender e conviver com eles", disse o chefe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), no âmbito da conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Cancún (leste do México). "Acredito que seja apenas uma espécie de queda temporária".

Pachauri concorda que o tema praticamente desapareceu do cenário político depois do fracasso no ano passado da cúpula de Copenhague. Além disso, ele admitiu falhas na sua própria organização.

O IPCC foi criticado por vários erros que vieram à tona tardiamente em seu quarto relatório de avaliação de 2007, um documento-chave que havia impulsionado a reunião de Copenhague.

Mas uma análise deste relatório feita por especialistas externos mostrou que as conclusões do IPCC, basicamente, que a mudança climática está em curso e que a queima excessiva de combustíveis fósseis é a responsável, não foram alteradas.

No entanto, menos de três anos depois de ganhar o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho, o IPCC foi humilhantemente convocado a revisar seus procedimentos e melhorar a comunicação com o público.

Hoje, como podem ilustrar os poucos objetivos ambiciosos da conferência de Cancún, a vontade política para enfrentar a ameaça das mudanças climáticas parece ter evaporado.

"Há vários fatores responsáveis por isso e acredito que nós mesmos devíamos ter feito algumas coisas melhor. Mas nós aprendemos", insistiu Pachauri.

Os cientistas recrutados para realizar o quinto relatório, que sairá em 2014, receberam instruções para evitar um outro "climagate" - que foi quando céticos das mudanças climáticas usaram e-mails hackeados escritos por um cientista britânico como prova de que os dados utilizados foram deturpados.

Uma investigação independente não encontrou evidências de má vontade.

Os e-mails haviam sido mal formulados por um cientista irritado por pedidos incessantes para ver os dados.

"Vamos ter que ser muito cuidadosos na forma como vamos conduzir nosso trabalho, porque estamos sob um intenso controle público", disse Pachauri. "Devemos ter a certeza de que não falharemos, em nenhum sentido, como cientistas".

No decorrer deste ano, muitos climatólogos, acostumados a trabalhar tranquilamente com seus pares, longe dos olhares do público, foram atingidos pela fúria e a influência dos céticos do aquecimento global.

Pachauri disse que tinha sido bombardeado com mensagens eletrônicas de ódio.

No mês passado, Phil Jones, um professor da Universidade de East Anglia, envolvido no escândalo "climagate", disse que sua família havia recebido ameaças e que ele até havia pensado em suicídio.

Embora o IPCC tenha sofrido um duro golpe em 2010, a neutralidade e objetividade do trabalho do painel lhe permitirão recuperar o seu brilho, considerou Pachauri.

E quanto às mudanças climáticas, os interesses também devem ser reavivados pela opinião pública, especialmente entre os jovens, e pela ameaça do CO 2 .

"Creio que a tendência é claramente em direção a um entendimento e conscientização sobre as mudanças climáticas, muito mais do que três ou quatro anos atrás. Pessoalmente, sinto-me muito otimista quanto à juventude em todo o mundo, incluindo a dos EUA, que é muito sensível a respeito de algumas destas questões".

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