Chanceler do México assume presidência da COP

Autoridades dão o pontapé inicial na reunião anual da ONU sobre o clima em Cancún

iG São Paulo |

AFP
Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC, a chanceler Patricia Espinoza e o presidente do México Felipe Calderon durante abertura da COP de Cancun
A chanceler do México, Patricia Espinosa, assumiu nesta segunda-feira o cargo de nova presidente da Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP), que inaugurou sua 16ª edição em Cancún. Serão 12 dias de conversações destinadas a devolver a credibilidade a um processo de negociação internacional debilitado pelo fracasso em Copenhague, no ano passado

O México está promovendo a COP16 como um espaço de "inclusão social" com duros controles de acesso e mobilidade em um amplo dispositivo de segurança. Mais de 190 delegações nacionais participam das negociações da COP, que nos primeiros dias tem um caráter mais técnico.

"Quem os recebe é um país que, como todos os da região, é um dos que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas", afirmou, em sua mensagem de boas-vindas, o presidente do México, Felipe Calderón, em alusão à grave temporada de chuvas e furacões que o país sofreu este ano, depois de ter registrado, em 2009, a pior seca em mais de meio século.

"As mudanças climáticas já são para nós uma realidade e estão tendo gravíssimas consequências para nós e para o planeta", afirmou Calderón, referindo-se às dramáticas inundações que devastaram parte do Paquistão e a onda de calor e de incêndios florestais sem precedentes que a Rússia viveu no verão boreal.

São "fenômenos que afetam mais aos mais pobres e os tornam ainda mais pobres", ressaltou.

"Continuamos presos a um falso dilema: ou combatemos as mudanças climáticas ou a pobreza em que vivem muitos dos nossos povos", afirmou. "Mas é um falso dilema porque é perfeitamente possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, sustentar o crescimento econômico", acrescentou.

"A chave para resolver este problema é fechar as duas brechas ao mesmo tempo: a da natureza e a da pobreza", assegurou. "Este caminho existe e devemos explorá-lo entre todos", acrescentou.

"Por isso, durante as próximas duas semanas, aqui em Cancún, os olhos do mundo estarão sobre vocês", disse presidente mexicano aos negociadores presentes.

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), o indiano Rajendra Pachauri, pediu aos países presentes para "cooperar o mais rápido possível" para levar adiante a luta contra as alterações no clima e a adaptação a suas consequências inevitáveis.

"Precisamos tecer uma teia de esforços muito mais rico, um tecido cheio de buracos não funcionará e os buracos só podem ser preenchidos com acordos", considerou, por sua vez, a costa-riquenha Christiana Figueres, secretária executiva da .

A cúpula reunirá até o dia 10 de dezembro cerca de 25 mil delegados e representantes da sociedade civil de 194 países em Cancún. A reunião climática acontece depois que a COP15 de Copenhague estabeleceu o compromisso de buscar que a temperatura não aumente mais de dois graus com relação aos níveis de 1900, sem fixar medidas nem prazos para isso. 

No entanto, a conferência dinamarquesa terminou com a adoção de um decepcionante texto não vinculante, negociado na última hora por um punhado de chefes de Estado, que propôs limitar a elevação da temperatura no planeta a dois graus Celsius, sem detalhar os meios de consegui-lo.

Um novo fracasso este ano seria fatal para o processo. Organizadores e negociadores estão decididos a obter resultados que, embora não se concretizem na forma de um tratado internacional, consigam avanços com vistas à próxima conferência em Durban (África do Sul), prevista para o fim de 2011.

No entanto, alguns dos participantes já expressaram preocupação de que Cancún siga a dinâmica de Copenhague, cujo resultado foi repudiado por vários países - entre eles Bolívia, Venezuela e Cuba - por não ter sido negociado por todas as nações.

Diferente de Copenhague, a conferência de Cancún não espera a participação dos grandes líderes mundiais. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que havia anunciado sua presença, informou esta segunda-feira que não irá ao México "devido à pesada agenda interna que precisa cumprir" no Brasil antes de passar a faixa presidencial à sua sucessora, Dilma Rousseff, em 1º de janeiro.

(Com informações da AFP e EFE)

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