Cancún reúne 194 países para discutir o aquecimento global

Entenda quais são os objetivos, expectativas e impasses da COP-16

iG São Paulo |

Entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro, representantes de 194 países estarão reunidos em Cancún para discutir metas, estratégias e acordos para combater o aquecimento global. A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas terá dois grandes campos de discussão.

Um deles é a renovação das metas de países ricos dentro do Protocolo de Kyoto, um tratado internacional que vale até 2012, e que estabelece compromissos para a redução das emissões de dióxido de carbono. A Conferência também vai tratar de assuntos como adaptação às mudanças climáticas, transferência de tecnologia e redução das emissões por desmatamento.

A decepção com a reunião anterior, que aconteceu em Copenhague, no ano passado, levantou dúvidas sobre a viabilidade de longas discussões diplomáticas. A falha principal tem sido tentar a obrigatoriedade de um consenso nas reduções obrigatórias das emissões de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. Produzidos pela atividade industrial, agrícola e de urbanização, eles são os responsáveis pelo aquecimento global.

Por conta disto as expectativas para Cancún são baixas. As negociações estão atravancadas. Desde 1997, os Estados Unidos têm se recusado assinar o Protocolo de Kyoto, diferente do resto do mundo industrializado. A expectativa é que esta situação não deve mudar em Cancún.

Nos últimos anos este problema se ampliou. China, Índia e outras economias emergentes, isentadas do protocolo, tiveram suas emissões drasticamente aumentadas. A China, inclusive reconheceu, em novembro deste ano, que é o maior emissor de dióxido de carbono no mundo. Mas estes países rejeitam os pedidos mundiais para que reduzam as suas emissões, baseados no precedente americano. O protocolo propõe que países desenvolvidos reduzam a emissão de gases poluentes em pelo menos 5,2%, em relação aos níveis de 1990.

Enquanto isso, emissões de gases de efeito estufa registram recorde em 2009. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), subordinada à ONU, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, aumentou 38% desde 1750, situando-se em 2009 em 386,8 ppm (partes por milhão, ou seja, número de moléculas de gás por milhão de moléculas de ar seco).

A menina dos olhos em Cancún será a estruturação de um fundo de 100 bilhões de dólares para ações contra a emissão de gases causadores do efeito estufa, o chamado Fundo Verde. Outro possível avanço está na exploração e aperfeiçoamento dos mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDDs). A proposta a ser votada é criar iniciativas para que países em desenvolvimento reduzam suas emissões por desmatamento e degradação florestal. Segundo dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), este tipo de emissão contribui em 17% para as emissões globais. Este tema pode gerar créditos para o Brasil.

(Com informações das agências de notícias)

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