Cancún chega a acordo vago e com pendências

Bolívia se manifestou contra a decisão de vários pontos do acordo, mas mesmo assim pacote foi aprovado

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún
Chanceler mexicana Patricia Espinosa coordena plenária

O acordo firmado em Cancún, na Conferência do Clima, foi fechado de maneira rápida a partir do pulso firme e carismático da presidente da COP-16, a chanceler mexicana Patricia Espinosa. O “pacote equlibrado”, que contempla todos os principais temas em questão, nasceu na madrugada deste sábado depois de horas de plenárias e reuniões fechadas. 

O acordo de Cancún não traz muitas novidades, conta com poucos números e, em muitos pontos, as decisões são apenas um passo a frente para um acordo mais substancial que poderá ser feito na Conferência do Clima, em Durban, no ano que vem.

Pablo Solón, negociador da Bolívia, fez intervenções em todas as áreas do acordo, nas quais afirmava ser contra as decisões e que, com isso, não havia um consenso. Como resposta, Espinosa disse que consenso não significava unanimidade e adotou o acordo. Como consolo, as objeções do país eram anotadas na ata.

Sem o apoio dos outros países que forma o grupo Alba – Venezuela, Nicarágua, Cuba, El Salvador –, a Bolívia acabou brigando sozinha no plenário.

Protocolo de Kyoto

Uma das principais negociações da COP-16, o segundo período de vigência do protocolo de Kyoto determina que países desenvolvidos reduzam no total suas emissões de 25% a 40% até 2020, comparado com 1990. O acordo obrigatório de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa deverá ser trabalhado até o ano que vem. O segundo período de vigência do protocolo pede que as metas dos países sejam mais ambiciosas.

Sobre as reduções de emissões, os países desenvolvidos terão de apresentar um relatório anual e um bienal sobre os progressos feitos.

Em relação às metas de temperatura, o limite de aumento foi estabelecido em 2° C. Futuramente, poderá haver uma revisão para 1,5°C e, depois, identificar-se uma meta global para 2050.

Fundo Verde

A decisão sobre o Fundo Verde foi criticada por muitos por não determinar de onde partirá o dinheiro. O pacote de US$ 100 bilhões em doações para países em desenvolvimento até 2020 visa a investir em ações de adaptação às mudanças climáticas.

O fundo será operado pelo Banco Mundial nos três primeiros anos, sob responsabilidade da ONU. No curto prazo, um plano de financiamento vai destinar U$ 30 bilhões até 2012. Países menos desenvolvidos, pequenas ilhas e África terão prioridade.

REDD

O novo acordo cria mecanismo do REDD (redução de emissões por desmatamento e devastação florestal), no qual países em desenvolvimento recebem dinheiro de países desenvolvidos ao reduzir as emissões por conservar suas florestas. O mecanismo de conservação deve respeitar o conhecimento dos povos indígenas e comunidades locais.

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