Brasil quer usar boa relação com China para mediar acordo sobre clima

Espera-se que conversas decisivas em Cancún ocorram a partir desta terça aís

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O governo brasileiro está disposto a usar sua boa relação com os chineses durante a reunião sobre o clima, em Cancún, como forma de avançar as discussões sobre como medir as emissões de gases de efeito estufa em cada país.

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Uma das principais reclamações dos chineses é a possibilidade de que esse método de medição esconda uma tentativa de interferir em assuntos nacionais. "Esse debate mais técnico, entre dois países irmãos acostumados em estar do mesmo lado, cria um conforto maior para a China", disse a secretária de mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Branca Americano."Isso é um exemplo de como a gente pode trabalhar para reduzir as arestas", acrescentou a secretária.

A China é o maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, portanto um ator-chave na Conferência das Partes (COP 16) da Convenção do Clima, que termina nesta sexta-feira.

Os Estados Unidos, por exemplo, têm cobrado uma fórmula que permita verificar, de forma transparente, como e quanto os países que integram a Convenção emitem gases estufa. Ao contrário dos países ricos, as nações em desenvolvimento - como China e Brasil - não precisam ter metas obrigatórias de redução das emissões, mas precisam se comprometer com um crescimento mais limpo e com dados que sejam "mensuráveis, reportáveis e verificáveis" (MRV).

Os principais países negociadores vêm discutindo uma fórmula que seja consensual. Segundo a secretária do Ministério do Meio Ambiente, existe um trabalho de verificação sendo feito por agências de certificação, mas esse modelo "não reflete o espírito da convenção". "Esse não é o espírito, então cria-se uma desconfiança", disse Branca Americano, referindo-se à posição dos chineses.

"O Brasil trabalha para desfazer essa desconfiança, para detalhar isso, usando procedimentos no âmbito da convenção", acrescentou.

Apesar da disposição do Brasil em intermediar esse debate com a China, o governo não espera uma definição já em Cancún.

Segundo um representante do Itamaraty que participa das negociações, a expectativa é que os países concordem, pelo menos, com um prazo para que o modelo de verficação seja definido. "Se sairmos do México com um horizonte de tempo para resolver esses parâmetros, já sairemos felizes", disse o diplomata à BBC Brasil.

Semana decisiva
A reunião de Cancún começou na semana passada, mas espera-se que as conversas definitivas ocorram a partir desta terça-feira. Apesar do clima amistoso entre os negociadores, ainda não há esboço sobre qualquer acordo, o que coloca pressão ainda maior sobre as conversas desta semana.

A primeira semana de discussões foi marcada pelo anúncio de que o Japão não tem planos de se comprometer com metas para um segundo período do Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, e por uma continuação da desconfiança entre países ricos e em desenvolvimento.

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