Brasil espera que política não freie avanços para renovar Kyoto

Brasileiro demonstrou otimismo sobre documento que obriga os países desenvolvidos a reduzir emissões de gases do efeito estufa

EFE |

O Brasil confia em que os avanços nas negociações para conseguir um segundo período do Protocolo de Kyoto não sejam denegridos por decisões políticas, com a chegada, na semana que vem, dos ministros e chefes de Estado e Governo à 17ª Cúpula da Mudança Climática (COP17).

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Neste sábado, a delegação brasileira concedeu entrevista para avaliar os resultados da primeira semana da COP17, que ocorre em Durban, na África do Sul, de 28 de novembro a 9 de dezembro, antes das reuniões ministeriais de alto nível que começam na próxima terça- feira.

"Vimos contatos claros de países e grupos sobre assuntos que podem ser a base para um resultado ambicioso em Durban", afirmou o chefe negociador do Brasil, o embaixador André Correa do Lago.

"Falamos com a UE (União Europeia), avaliamos o que podemos fazer no LCA (grupo que estuda acordo global de redução de emissões), e coincidimos em que a assinatura de um segundo Protocolo de Kyoto é condição indispensável para os países em desenvolvimento".

Lago demonstrou otimismo sobre a assinatura desse documento de Kyoto, o único tratado que obriga os países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, cuja primeira etapa termina em 2012. No entanto, o negociador brasileiro compartilhou com a Índia, país sócio do Brasil, Rússia, China e África do Sul no grupo de economias emergentes (Brics), sua preocupação pelo possível fracasso na cúpula de Durban.

"Compreendemos a preocupação da Índia, e compartilhamos, já que ainda há muito por decidir para um segundo período do protocolo. Mas há uma notícia boa, Kyoto está no centro das conversas, e há uma notícia má, que depende de muitos pontos, entre estes, de decisões políticas", concluiu Lago.

Assinado em 1997, o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em 2005 com compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos, com a exceção dos Estados Unidos.

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Os negociadores tentam em Durban acordar um segundo período de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional juridicamente vinculativo. Os países em desenvolvimento consideram imprescindível que as economias ocidentais aprovem o segundo período, enquanto Rússia, Japão e Canadá não querem renovar o tratado se concorrentes comerciais como China, Índia e os EUA não assumirem compromissos similares.

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