Brasil e México se transformam nos protagonistas latino-americanos em Cancún

Junto com Bolívia, os três países lideram as discussões da cúpula

EFE |

México e Brasil se transformaram nos dois pontos de referência para a América Latina na Cúpula sobre a Mudança Climática de Cancún, o primeiro como anfitrião e fiador de um processo multilateral transparente, e o segundo por seu papel de mediador ativo na parte mais sensível da negociação, a relacionada com o Protocolo de Kyoto.

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O outro país latino-americano que está na primeira linha da conferência, que nesta terça-feira entra em sua parte decisiva com a incorporação dos ministros, é a Bolívia, que exige compromissos das nações mais desenvolvidas para prorrogar o Protocolo de Kyoto (1997), que expire em 2012.

"Podemos negociar números, mas é realmente assombroso que alguns países que ratificaram o tratado, que continuam fazendo parte do tratado, se neguem a cumpri-lo", disse nesta terça-feira à Agência Efe o embaixador da Bolívia na ONU, Pablo Solón.

O país sul-americano se transformou no grande crítico de nações como Japão, Canadá e Rússia, que não querem prorrogar o protocolo que só obriga os países desenvolvidos a reduzirem as emissões e não os que estão em desenvolvimento.

A Bolívia pede, além disso, que a meta climática de aumento de temperaturas para o século XXI seja fixada em uma alta de 1 grau centígrado em relação aos níveis pré-industriais, abaixo dos 2 graus estipulados em Copenhague.

"Acho que, em conjunto, os países em desenvolvimento e da América Latina colocam e pedem o cumprimento das obrigações internacionais daqueles países que fazem parte do Protocolo de Kioto", indicou Solón, que resumiu a posição da Bolívia de que "a lei se cumpre, não se negocia". Sua postura, assinalou, é respaldada pelos demais latino-americanos, entre eles Brasil e México.

O México, em sua qualidade de presidente da conferência, se transformou no principal fiador de uma negociação transparente, segundo a chanceler Patricia Espinosa. Além disso, tem como meta cortar em 30% suas emissões em 2020 em relação a 2000, algo que ficou acordado em Copenhague, e de 50% em 2050.

México e Brasil são como "enviados especiais da região para fazer pressão para que os países desenvolvidos elevem seu nível de ambição", já que possuem alguns "dos mais altos do mundo", disse nesta terça-feira à Agência Efe o assessor político do The Nature Conservancy (TNC), Jorge Gastelumendi.

O Brasil tem um Plano Nacional de Mudança Climática com metas como reduzir a taxa de desmatamento da Amazônia em 70% em 2017, e em novembro de 2009 anunciou um objetivo de redução de emissões de 39% para 2020. Junto ao Reino Unido, o país lidera um grupo de facilitação sobre a prorrogação do protocolo de Kyoto.

"O Brasil está desempenhando um papel muito bom porque não fica só falando, mas envia um sinal muito claro de que eles estão dispostos a reduzir as emissões na medida em que os países desenvolvidos também o façam de maneira mais ambiciosa", assinalou Gastelumendi.

O especialista também se referiu à situação do resto da região e destacou que na América Central uma das preocupações é como os países se adaptarão aos efeitos adversos do aquecimento global. "Infelizmente, a América Latina é quase invisível nas negociações", já que possui alguns dos países mais vulneráveis e menos desenvolvidos. Colômbia, Peru e Costa Rica, disse, preferem que a negociação não fique focada em países, "mas em áreas vulneráveis" dentro deles.

Em outros aspectos, como o da luta contra o desmatamento, também existem visões heterogêneas sobre o mecanismo contra a degradação das florestas. Para Colômbia, Peru, Guatemala, Costa Rica, Peru, Brasil e México "há uma necessidade de integrar o tema florestal dentro de uma visão de desenvolvimento em carbono dos países", enquanto para outros como Venezuela, Nicarágua e Bolívia, os mecanismos de mercado no âmbito florestal não deveriam existir, assinalou o representante do TNC.

Além disso, os chefes de Estado latino-americanos serão os que mais presença terão na conferência, pois entre os 20 que devem participar estarão os presidentes da Bolívia, Evo Morales; da Costa Rica, Laura Chinchila; do Equador, Rafael Correa; da Guatemala, Álvaro Colom, e de Honduras, Porfirio Lobo, além do anfitrião, o mexicano Felipe Calderón.

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