Bloco da América Latina quer pressa em acordo climático

Liderados pela Venezuela, governos querem novo acordo já no ano que vem e acusa países desenvolvidos de lentidão proposital

Reuters |

Um bloco de governos esquerdistas latino-americanos manifestou na terça-feira sua oposição à ideia de adiar para 2020 a adoção de um novo tratado climático de cumprimento obrigatório, e acusou os países desenvolvidos de não fazerem sua parte no combate ao aquecimento global.

Entenda:
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A Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) defende que os países industrializados, responsáveis pela maior parte das emissões de gases do efeito estufa ao longo da história, devem fazer cortes mais incisivos nessas emissões. Os países ricos, por sua vez, querem que grandes nações emergentes, como China, Índia e Brasil, se comprometam com cortes maiores.

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Mais de 190 países estão reunidos a partir desta semana em Durban, na África do Sul, para discutir o que fazer quando a primeira etapa do Protocolo de Kyoto, atual tratado climático global, expirar, em 2012.

Esse tratado não prevê reduções obrigatórias nas emissões dos países em desenvolvimento, que alegam a necessidade de se industrializar para tirar milhões de pessoas da pobreza.

"Estamos prontos para irmos além (do que prevê o Protocolo de Kyoto), mas o que estamos pedindo é um movimento equivalente por parte dos países desenvolvidos", disse a negociadora Claudia Salerno, da Venezuela, país que é o principal articulador da Alba.

A União Europeia sugere que um novo acordo global para a redução das emissões seja selado até 2015, para entrar em vigor até 2020. Já os EUA, que não ratificaram o Protocolo de Kyoto, dizem que só vão aderir a um novo acordo se as grandes potências emergentes também assumirem compromissos. Rússia e Japão apresentam restrições semelhantes.

"Estamos realmente muito preocupados (...) com a perspectiva de nos afastarmos de um sistema muito rígido, que é o Protocolo de Kyoto", disse o negociador René Orellana, da Bolívia, outro país da Alba.

"Estamos muito preocupados com alguns países desenvolvidos que não só não querem oferecer um grau maior de ambição como também querem sair do Protocolo de Kyoto. Como os seus compromissos vão ser definidos e monitorados se não existir Kyoto?"

O Canadá na segunda-feira se referiu ao Protocolo de Kyoto como algo do passado, mas não confirmou rumores jornalísticos de que o país deixaria o tratado.

A Alba também disse que irá reabrir as discussões sobre a formação do Fundo Climático Verde, destinado a ajudar as nações em desenvolvimento a enfrentarem a mudança climática, com doações que deveriam chegar a 100 bilhões de dólares por ano em 2020.

"Sentimos que não há uma força jurídica implantando o fundo", disse Orellana, acrescentando que é preciso haver mais clareza sobre a origem do dinheiro, e mais foco no financiamento oriundo do setor privado.

Os outros países da Alba são Equador, Cuba, Nicarágua, Antígua e Barbuda, Dominica e São Vicente e Granadinas.

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