Basic exige maior comprometimento dos EUA

Bloco de países, que inclui o Brasil, defende segunda fase do protocolo de Kyoto

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Cancún |

Os países que formam o bloco chamado de Basic – Brasil, Índia, China e África do Sul – exigem o cumprimento de três pontos tidos por eles como fundamentais para a Conferência do Clima: prolongamento do protocolo de Kyoto, aceleração dos fundos e necessidade de um mecanismo de cooperação tecnológica.

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“Queremos o segundo Protocolo de Kyoto e também precisamos acelerar o first star finance que até agora não está sendo rápido, ainda não começou e não deu nenhum financiamento”, disse Jairam Ramesh, ministro do Meio Ambiente da Índia, mostrando bom humor e liderança no grupo.

Ramesh se referia ao fundo de US$ 30 bilhões prometidos pelos países desenvolvidos na Conferência do Clima em Copenhague no ano passado e que é destinado a ajudar os países mais pobres, principalmente os africanos e os países insulares, os que correm mais risco com os efeitos das mudanças climáticas. Para o Basic, os três itens são essenciais.

O grupo também se diz estar comprometido com o ICA, sigla em inglês para Análise e Consultoria Internacional O termo foi assinado na Conferência do clima em Copenhague, em 2009, e trata da verificação das emissões voluntárias de países em desenvolvimento. O principal negociador do clima chinês, Xie Zhenhua afirmou que a China quer reduzir suas emissões entre 40% e 45% até 2020.
“A China precisa melhorar sua economia e atacar com a pobreza ao mesmo tempo em que deve reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse.

Mas a grande questão para o grupo Basic é a inclusão dos Estados Unidos em algum acordo obrigatório de corte de emissão. Ramesh afirmou que “não faz sentido” fazer um acordo sem os Estados Unidos. “É pouco realista achar que sem a participação dos Estados Unidos vamos conseguir criar uma ação global contra as mudanças climáticas”.

Os Estados Unidos são responsáveis por 19% das emissões de gases causadores do efeito estufa e tem o maior índice global de emissões per capta. Há 13 anos, o país se recua a retificar o protocolo de Kyoto. O tratado, que expira em 2012, exige que quase 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, em 5,2% entre 2008 e 2012.

Para o grupo Basic, o comprometimento americano de reduzir voluntariamente apenas 14% das emissões de gases causadores do efeito estufa até o ano de 2020, tendo como base ano de 2005 é decepcionante.

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