Cooperados depõem na CPI da Bancoop em São Paulo

Em uma sessão que se estendeu por oito horas, os deputados estaduais que compõem a CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo ouviram hoje o depoimento de cinco cooperados prejudicados pela entidade. De acordo com o advogado Valter Picazio Júnior, que representa quatro dos depoentes de hoje e 18 grupos de cooperados, em torno de 8,5 mil famílias foram lesadas.

iG São Paulo |

Em uma sessão que se estendeu por oito horas, os deputados estaduais que compõem a CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo ouviram hoje o depoimento de cinco cooperados prejudicados pela entidade. De acordo com o advogado Valter Picazio Júnior, que representa quatro dos depoentes de hoje e 18 grupos de cooperados, em torno de 8,5 mil famílias foram lesadas. Do total, cerca de 3 mil nem sequer receberam os imóveis. "Nosso objetivo, por meio da CPI, é buscar uma alternativa para a solução do problema", afirmou.

O primeiro a ser ouvido hoje foi Laurindo Belice, que abriu a sessão da CPI por volta das 11h. Em depoimento de 50 minutos, o microempresário paulista contou que em 2004 comprou um apartamento na região do Brooklin, por meio de financiamento da cooperativa. O mutuário pagou R$ 62 mil pelo imóvel, que não lhe foi entregue. Assim como no depoimento que prestou em março ao Congresso Nacional, Belice mostrou aos parlamentares um cartaz com a foto do empreendimento da cooperativa e reclamou que pagou a quantia "por um pedaço de papel".

Na sequência, falou o escritor Ignácio de Loyola Brandão. A esposa dele, cooperada da Bancoop, pagou R$ 100 mil por um apartamento para a filha do casal na região da Bela Vista, na capital paulista. Num depoimento de cerca de 20 minutos, Brandão disse que se sentiu "impotente" ao se dar conta de que o prédio não sairia do sétimo piso. O escritor afirmou que continua a receber boletos de cobrança e tentou, mas não conseguiu, marcar audiência com o ex-presidente da Bancoop e tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O terceiro a ser ouvido foi Eduardo Mazer, morador do condomínio de casas Villas da Penha, construído pela Bancoop na zona leste da capital. No depoimento de cerca de meia hora, o mutuário afirmou que dos 250 cooperados do grupo que contrataram a cooperativa, metade não recebeu o imóvel e a outra metade tem de desembolsar R$ 150 mensais para sanar problemas de acabamento nos imóveis. Em seguida, depuseram Antônio Leone Maria, que recebeu um apartamento incompleto no Jardim Anália Franco e com um ano de atraso, e Pedro Galuchi, que teve quatro imóveis financiados pela Bancoop por R$ 500 mil e não recebeu a escritura de nenhum.

A convocação das testemunhas foi aprovada em reunião da CPI do dia 27 de abril, em um acordo entre governistas e oposicionistas que teve como desfecho a aprovação de 27 dos 43 requerimentos que aguardavam votação na Casa. Um dos cooperados chamados para depor hoje, a bancária Yara Regina Ferreira, não compareceu à CPI.

Programação

Para as próximas sessões da CPI, são aguardados os depoimentos do ex-funcionário da cooperativa Hélio Malheiro, do empresário Freud Godoy, cuja empresa de segurança prestou serviços para a Bancoop, e do doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Também deve ser ouvido Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco, que estaria envolvido no escândalo. Vaccari e o promotor de Justiça José Carlos Blat prestarão depoimento apenas em agosto. O promotor acusa a Bancoop de desviar cerca de R$ 100 milhões para um suposto caixa 2 do Partido dos Trabalhadores.

O presidente da CPI, Samuel Moreira (PSDB), pretende encerrar a primeira etapa dos depoimentos em junho. "Queremos ter um diagnóstico da situação da cooperativa antes de ouvirmos os acusados", explicou.

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