Sem consenso em questões-chave, Copenhague deve ter acordo político fraco

COPENHAGUE - Sem consenso em questões como limite do aumento de temperatura até o fim do século, cortes nas emissões e prazos de implementação, negociadores reunidos nesta sexta-feira na 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague, consideram a perspectiva de surgir um acordo político fraco e distante das expectativas levantadas nas duas últimas semanas.

iG São Paulo |

Durante o dia circularam sucessivas versões de um esboço de acordo, com a última versão recomendando uma redução global de 50% nas emissões de CO² até 2050, em relação aos níveis de 1990. Os países ricos se comprometem a reduzir suas emissões individualmente ou conjuntamente em pelo menos 80% até 2050 e a fixar cortes até 2020 sem especificar se serão determinados em comparação com os níveis de 1990 ou de 2005.

No entanto, segundo as agências Reuters e EFE, o texto não determina 2010 como a data limite para a assinatura de um acordo sobre o clima legalmente vinculante.

Com 12 pontos, o texto fixa 2ºC como o limite de aumento da temperatura global para evitar graves mudanças no clima, mas aponta que o acordo será revisado em 2016, quando essa índice poderia ser limitada a 1,5ºC, um pedido dos países mais ameaçados pelo fenômeno.

De acordo com a ministra espanhola do Meio Ambiente, Elena Espinosa, as negociações atravessaram nesta sexta-feira seus piores momentos  por causa da posição da China . Apesar de ainda não haver um acordo oficial, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, já voltou ao Brasil. O presidente dos EUA, Barack Obama, também afirmou que não mudará seus planos e volta na noite desta sexta-feira a Washington.

Durante todo o dia, os líderes se mantiveram em reuniões a portas fechadas na tentativa de alcançar um compromisso de última hora, evitando o fracasso de duas semanas de negociações.

Por causa da demora nas negociações, que já superam o horário previamente estabelecido para o fim do encontro, surgiram rumores de que a cúpula poderia ser estendida até o fim de semana.

Ao meio-dia de Brasília, a Reuters, citando o comissário-europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas, até chegou a divulgar uma nota afirmando que o secretário da ONU, Ban Ki-moon, havia pedido que os líderes passassem a noite na Dinamarca.  Logo depois, porém, a informação foi desmentida pela própria organização.

Em público, EUA, União Europeia e China não ofereceram nada de novo, levantando temores de que um compromisso para coibir as emissões globais esteja fora de alcance. Na tentativa de convencer a China a aceitar um mecanismo internacional de monitoramento de suas metas de corte , o presidente americano, Barack Obama, manteve durante o dia duas reuniões com o premiê chinês, Wen Jiabao.

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