Sem acordo à vista, cúpula de Copenhague caminha para fracasso

COPENHAGUE - A 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP15), em Copenhague, caminhava nesta sexta-feira para o fracasso com a incapacidade de os países chegarem a um consenso sobre questões como cortes nas emissões de Co².

iG São Paulo |

De acordo com a ministra espanhola do Meio Ambiente, Elena Espinosa, as negociações atravessaram nesta sexta-feira seus piores momentos  por causa da posição da China . Segundo Elena, a delegação da UE decidiu ficar em Copenhague para tentar salvar o acordo.  O presidente dos EUA, porém, afirmou que não mudará seus planos e volta na noite desta sexta-feira a Washington.

Segundo o jornal britânico "Guardian", a ONU não conseguiu convencer os países a aceitar 2ºC como limite de aquecimento global até o fim do século. Segundo o IPCC (painel do clima da ONU), um aumento superior a 2ºC dificultaria a adaptação da humanidade e dos ecossistemas.

A circulação entre os 120 líderes mundiais de uma série de esboços de acordos - cada um mais fraco do que o anterior - também aumentou o grau de confusão do encontro.

Enquanto os esboços de acordo eram divulgados, os líderes se mantinham em reuniões a portas fechadas na tentativa de alcançar um compromisso de última hora, evitando o fracasso de duas semanas de negociações.

Por causa da demora nas negociações, que já superam o horário previamente estabelecido para o fim do encontro, surgiram rumores de que a cúpula poderia ser estendida até o fim de semana.

Ao meio-dia de Brasília, a Reuters, citando o comissário-europeu de Meio Ambiente, Stavros Dimas, até chegou a divulgar uma nota afirmando que o secretário da ONU, Ban Ki-moon, havia pedido que os líderes passassem a noite na Dinamarca.  Logo depois, porém, a informação foi desmentida pela própria organização.

Em público, EUA, União Europeia e China não ofereceram nada de novo, levantando temores de que um compromisso para coibir as emissões globais esteja fora de alcance. Na tentativa de convencer a China a aceitar um mecanismo internacional de monitoramento de suas metas de corte , o presidente americano, Barack Obama, manteve durante o dia duas reuniões com o premiê chinês, Wen Jiabao.

Há expectativas de que as negociações continuem durante a madrugada.

Esboços de acordo

Vários rascunhos de acordo circularam durante o dia na reunião. Um deles, elaborado por um grupo de 28 países, foi rejeitado por um pequeno grupo de nações. O texto reconhecia que as "reduções significativas em emissões globais são necessárias", mas não definia números. Além disso, ela também dizia que os 37 países ricos que assumiram cortes vinculantes no Protocolo de Kyoto limitassem suas emissões em 2020, mas não especificava números.

Depois, surgiram informações de que um novo esboço recomendava aos países adotar a meta de reduzir em 50% as emissões de gases estufa até 2050, em relação aos níveis de 1990. O texto, porém, ainda não foi confirmado oficialmente. 

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