Protestos e divergências bloqueiam acordo em Copenhague

COPENHAGUE - Em meio a protestos com pelo menos 260 detidos, as negociações formais de Copenhague foram adiadas nesta quarta-feira por divergências sobre quais documentos deveriam ser usados como base das discussões.

iG São Paulo |


Policiais observam manifestantes perto do Bella Center/ Reuters

China, Brasil e outros membros do G77 (países em desenvolvimento) rejeitaram o anúncio da Dinamarca de que apresentaria unilateralmente uma nova proposta para as negociações da cúpula.

Segundo a Dinamarca, a proposta teria o objetivo de pôr fim ao impasse em questões como a redução das emissões de gases estufa de nações ricas - a mais controvertida da negociação, na qual não houve nenhum avanço. "Gostaríamos muito que um grupo menor de ministros se sentasse e olhasse o texto para tentar cortar alguns dos nós górdios", disse a ministra dinamarquesa Connie Hedegaard à Reuters.

Para o G77, a manobra dinamarquesa era inaceitável, exigindo que as negociações fossem conduzidas tendo como base textos redigidos durante as discussões de todo o ano.

"Esse é um processo guiado pelas partes. Não se pode simplesmente apresentar um texto caído do céu", disse o representante chinês Su Wei durante os debates. "A medida da presidência (Dinamarca) de apresentar um texto... na realidade equivaleria a obstruir o processo e ameaçaria muito o resultado de Copenhague", afirmou.

Os países em desenvolvimento exigem que as nações ricas reduzam drasticamente suas emissões de gases estufa, além de cobrarem verbas para ajudar as nações mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas e a reduzir suas próprias emissões.

Protestos e prisões

Do lado de fora do Bella Center, local onde ocorrem as negociações, a polícia entrou em confronto com manifestantes que ultrapassaram barricadas para tentar entrar no centro de convenções. A polícia deteve pelo menos 260 manifestantes  nos choques .


Presos aguardam para serem levados para centro de detenção / AFP

Frustrados com a falta de progresso do encontro, que já dura mais de uma semana, os manifestantes exigiam medidas mais duras contra o aquecimento global.

Milhares de policiais cercaram o Bella Center, onde a cúpula acontece até o dia 18, para impedir o acesso dos ativistas, em uma ação que reuniu mais de 2,5 mil manifestantes, um número menor que os de 5 mil a 10 mil que a plataforma Climate Justice Action esperava.

Segurança

Por questões de segurança, líderes de Estado e governo podem optar por não comparecer ao Bella Center para o segmento de alto nível da conferência climática da ONU, afirmou o Secretário-Executivo da Convenção do Clima, Yvo de Boer.

"A decisão final será de sua comitiva de segurança particular", disse De Boer. "Nós nos orgulhamos de ser uma conferência que abre as portas para a sociedade civil. Que outro evento deste porte pode dizer que atraiu o interesse de 45 mil pessoas?"

No entanto, o secretário se disse preocupado com alguns incidentes dentro do Bella Center nesta quarta-feira. "Passeatas 'instantâneas', invasão de salas de negociações e outras ações dentro do Bella Center me fazem questionar se nossa decisão foi sábia e testam minha coragem de voltar a seguir esse caminho."

Yvo de Boer também comentou a saída de Connie Hedegaard da presidência da COP15. "Ela continuará a ajudar e isso não influenciará as negociações."

Com informação de EFE, AFP e reportagem de Carolina Ribeiro, de Copenhague

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