Para UE, só haverá avanços no acordo sobre o clima no fim de 2010

BRUXELAS - A União Europeia (UE) disse nesta terça-feira que provavelmente não será possível alcançar um acordo internacional vinculativo sobre a mudança climática antes do fim de 2010, mas prometeu continuar trabalhando por um consenso e pressionar outros países a assumirem compromissos sérios.

EFE |

A próxima reunião oficial sobre o pacto global obrigatório que substituirá o Protocolo de Kioto em 2013 vai ser a cúpula da ONU de novembro de 2010, no México. Até lá, Espanha e Bélgica, que presidirão a UE no ano que vem, terão de se empenhar para melhorar o acordo obtido na fracassada cúpula de Copenhague.

A primeira reflexão sobre o tema aconteceu nesta terça-feira, e o próximo debate será realizado em Sevilha, de 14 a 17 de janeiro, em uma reunião informal dos ministros de Meio Ambiente do bloco. Na ocasião, os participantes do encontro vão analisar um documento de avaliação preparado especialmente pela Comissão Europeia, o Executivo da UE.

Apesar de todos os países do bloco concordarem que o pacto de Copenhague é decepcionante e pouco ambicioso, pelo menos eles comemoram o fato de haver um ponto de partida para as novas negociações.

Em Bruxelas, a secretária para a Mudança Climática da Espanha, Teresa Ribera, afirmou nesta terça-feira, ao término de uma reunião entre os ministros de Meio Ambiente da UE, que a ONU espera que a comunidade internacional apresente até 31 de janeiro metas concretas de redução nas emissões de gases estufa.

"Agora há um prazo crítico", disse a espanhola, segundo quem a falta de compromissos específicos concretização foi um dos elementos que mais contribuíram para o fracasso da conferência na Dinamarca. "É fundamental que não haja surpresas", acrescentou a funcionária, referindo-se à possibilidade de as nações que já anunciaram metas de redução apresentarem agora propostas menos ambiciosas.

Na opinião de Ribera, é preciso avançar a partir do que já foi conseguido e, para facilitar a comparação dos esforços de cada país, incluir novos elementos aos números que já existem.

A UE decidiu que manterá a oferta de, até 2020, reduzir em 20% suas emissões, sempre em relação aos níveis de 1990, e de elevar esse corte para 30% se outros países adotarem compromissos parecidos.

"Nossa oferta de 30% continua de pé. Agora a pressão está nos Estados Unidos", afirmou ao término do encontro Andreas Calgren, ministro de Meio Ambiente da Suécia, país à frente da Presidência rotativa da UE. "A UE está decidida a continuar trabalhando por um acordo vinculativo", acrescentou.

De modo geral, os ministros do bloco se mostraram decepcionados com a cúpula de Copenhague, que, não opinião deles, terminou com um acordo aquém do que é necessário para evitar que a temperatura do mundo suba mais de 2° C. "É óbvio que os Estados Unidos e a China não quiseram mais do que conseguimos em Copenhague", comentou Calgren, que disse que a UE deveria aprender com esta experiência.

O ministro sueco admitiu que é possível que o fracasso em Copenhague faça ressurgir propostas como a feita pela França, que sugeriu a aplicação de tarifas nas fronteiras comunitárias sobre produtos como os energéticos.

Esta iniciativa teria como fim evitar a desvantagem competitiva e desestimular a transferência de fábricas para fora da UE. No entanto, Calgren ressaltou que o bloco não perderá de vista o objetivo de obter um acordo global.

Por sua vez, a Comissão Europeia se mostrou um pouco mais otimista ao assegurar que "Copenhague não é o fim, mas o começo", e que "um resultado é melhor que nenhum resultado".

Outro avanço assegurado na Dinamarca, segundo o comissário de Meio Ambiente, Stavros Dimas, foi a criação de um fundo de US$ 30 bilhões para ajudar os países em desenvolvimento a combater o aquecimento global entre 2010 e 2012, assim como o reconhecimento de que, a partir de 2020, estas nações precisarão de US$ 100 bilhões para financiar as medidas ambientais.

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