ONU nega ter pedido a líderes para ficar em Copenhague

COPENHAGUE - A Organização das Nações Unidas (ONU) negou ter solicitado aos líderes mundiais presentes na reunião sobre clima em Copenhague, que se encerra nesta sexta-feira, para permecerem na cidade devido ao impasse sobre um acordo.

Reuters |

O comissário de Meio Ambiente europeu, Stavros Dimas, afirmou mais cedo que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, havia solicitado para não deixarem a cidade na sexta-feira.

A porta-voz da ONU, Marie Okabe, disse que a informação não procede.

Impasse

A minuta para um acordo discutido nas últimas horas por um grupo de líderes mundiais na Cúpula sobre Mudança Climática de Copenhague reitera valores de ajuda financeira aos países pobres, mas não estabece compromissos de reduções de emissões de gases estufa pelos países ricos.

O texto, elaborado por 28 líderes na madrugada desta sexta-feira, propõe estender as negociações por mais um ano, até a próxima cúpula climática que será realizada em dezembro de 2010 na Cidade do México. "(As negociações devem finalizar) um ou mais instrumentos jurídicos o mais breve possível, no máximo até a próxima cúpula da ONU sobre mudança climática, em novembro de 2010 na Cidade do México", diz o documento.

A proposta de acordo reconhece que as "reduções significativas em emissões globais são necessárias", mas sem definir números, embora determine que os 37 países ricos que assumiram cortes vinculantes no Protocolo de Kyoto limitem suas emissões em 2020, sem dar números.

Temperatura

O texto, que ainda está em discussão a portas fechadas em Copenhague, propõe um limite no aumento da temperatura global de 2 graus Celsius em relação à era pré-industrial, mas sem impor obrigações aos países.

Ilhas e países localizados abaixo do nível do mar, que podem sofrer mais com o aumento dos oceanos, querem um limite mais rígido, de 1,5 grau centígrado. As temperaturas já subiram metade disso somente no último século, segundo o painel climático da ONU.

Financiamento

O texto inclui a proposta previamente aceita de os países industrializados de doar US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 aos "países em desenvolvimento mais vulneráveis" à mudança climática.

Também reafirma a proposta de arrecadar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para os países em desenvolvimento, proposta que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apoiou ontem . O documento, porém, não esclarece com quanto cada país deve colaborar.

Diplomacia

Com três páginas, o documento não fixa uma data para o teto de emissões de C0² e, diante do aumento da temperatura média global do planeta no final de século em comparação com os níveis pré-industriais, "reconhece" que de acordo com os cálculos científicos a temperatura não deve superar os dois graus centígrados.

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