Lula deixa a Conferência de Copenhague

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a conferência climática da ONU nesta sexta-feira sem falar com a imprensa. De acordo com um oficial do Itamaraty, Lula passou as últimas horas em uma reunião do grupo BASIC (composto por Brasil, África do Sul, Índia e China) sediada pelo primeiro-ministro chinês Wen Jiabao.

Carolina Ribeiro Pietoso, de Copenhague |

O oficial do Itamaraty, que pediu para não ser identificado, afirmou que as negociações continuarão noite adentro e, possivelmente, no sábado. Ainda assim, "não se conseguirá tudo agora" e um acordo só será possível quando as questões forem retomadas na próxima conferência, a ser realizada no México em 2010.

O diplomata minimizou a importância da partida de Lula, dizendo que ministros continuam presentes para negociar. Segundo ele, "o que podia ser feito foi feito" e o Brasil não tem grandes objeções às questões em pauta.

Segundo o diplomata, os principais assuntos discutidos na reunião foram a verificação de ações autofinanciadas e os 2ºC de aquecimento que se quer evitar. "Avançamos muito na questão da verificação", ele disse. "Pode-se chegar a um acordo sobre estas questões".

Ainda de acordo com o oficial, Barack Obama compareceu inesperadamente à reunião do BASIC e, ao entrar na sala, disse ao presidente brasileiro: "Deixe-me sentar ao se lado".

Previamente, Obama havia anunciado que não alteraria seus planos e deveria deixar a cidade dinamarquesa na noite desta sexta-feira, segundo um funcionário americano de alto escalão que pediu para não ser identificado.

Obama chegou na manhã desta sexta-feira a Copenhague para participar dos esforços diplomáticos em busca de um novo acordo mundial que combata a mudança climática.

Devido às divergências entre países industrializados e nações em desenvolvimento, Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as delegações da Índia e da China. Obama também se encontrou duas vezes com o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, segundo a Casa Branca.

União Europeia

A ministra espanhola do Meio Ambiente, Elena Espinosa, afirmou que a União Europeia (UE) decidiu ficar em Copenhague para salvar o acordo. Segundo ela, nesta sexta-feira as negociações na Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15) atravessaram um dos momentos "de maior dificuldade", devido à posição da China .

A ministra assegurou que o presidente espanhol, José Luiz Rodrigues Zapatero, é um dos 120 líderes mundiais presentes na cúpula "que está dizendo que não podemos nos levantar daqui sem que haja um acordo e está insistindo em que ninguém retorne a seu país até fechá-lo".

A China não aceita permitir que suas emissões de gases de efeito estufa sejam verificadas por um organismo internacional, um dos principais empecilhos para se chegar ao acordo.

Sobre o Brasil, a ministra disse que recentemente se somaram à mesa de negociações dois especialistas brasileiros que "esperamos que nos ajudem a salvar as dificuldades".

Apesar dos obstáculos, Espinosa ressaltou que continuam "todos os esforços" em aspectos como mitigação, adaptação, transferência de tecnologia e financiamento.

Com AFP

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