Lula cobra responsabilidade de países ricos e defende Protocolo de Kyoto

COPENHAGUE - Em discurso nesta quinta-feira durante a Cúpula Climática de Copenhague (COP15), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou o respeito dos países desenvolvidos ao Protocolo de Kyoto, de 1997, e seu financiamento para ajudar os países pobres e em desenvolvimento a combater a mudança climática. Para Lula, é essencial que os países desenvolvidos assumam metas de redução de emissões mais ambiciosas, condizentes com sua responsabilidade histórica e o desafio que enfrentamos.

iG São Paulo |

Segundo o presidente brasileiro, o Protocolo de Kyoto "é absolutamente necessário" e não pode ser substituído por instrumento menos exigente. "Os países desenvolvidos devem tomá-lo como referência para definição de metas de cortes profundos", afirmou na sessão plenária da COP15, no Bella Center, em um dos mais esperados pronunciamentos do evento.

Entre as discussões em Copenhague, foi cogitado o abandono do protocolo, que fixou uma meta média de corte de gases estufa em 5,2% até 2012, em relação a 1990. Os EUA nunca assinaram o compromisso legalmente vinculante, que contou com a adesão de 37 países.

Ao lembrar que os países pobres e em desenvolvimento também devem dar sua contribuição ao esforço contra o aquecimento global, Lula afirmou que muitas dessas nações já estão aprofundando suas iniciativas "mesmo sem recursos internacionais". "(Essas iniciativas) só vão se concretizar se os fluxos internacionais de apoio tecnológico e financeiro deixarem de ser tímida promessa ou, talvez, apenas uma miragem." 


Lula discursa nesta quinta-feira em Copenhague / AFP

De acordo com o presidente, acordos anteriores estabeleceram a obrigação dos países desenvolvidos de "oferecer apoio tecnológico e financeiro aos países em desenvolvimento". Para ele, será muito difícil que os países em desenvolvimento aprofundem iniciativas de mitigação (redução de emissões de gases estufa) e de adaptação às mudanças climáticas sem ajuda do financiamento público dos países ricos.

Lula afirmou que controlar o aquecimento global é fundamental para permitir o crescimento econômico e superar a exclusão social. "Aqui em Copenhague, não há lugar para conformismo", disse.

Lula encerrou seu discurso pedindo ação a todos os países. "A hora de agir é esta. O veredicto da história não poupará os que faltarem com um compromisso neste momento", disse Lula.

Agenda do Lula

Após o discurso, ele se reúne por cerca de meia hora com o presidente francês, Nicolas Sarzoky, com quem esteve recentemente em Manaus em uma reunião com chefes de Estado dos países amazônicos - Sarkozy representou a Guiana Francesa.

Depois, o brasileiro também deve se reunir rapidamente com Meles Zenawi, o premiê da Etiópia, um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. No começo da noite, o presidente será recebido no castelo Christiansborg para um jantar oferecido pela Rainha da Dinamarca, Margarete II.

A reunião de Copenhague é a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP15. A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a discutir as mudanças climáticas em 1972, em grande evento em Estocolmo, Suécia. Os encontros se tornaram anuais em 1995, com a COP1, ocorrida em Berlim. A COP16 ocorrerá em dezembro de 2010, na Cidade do México.

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