Lula cobra ambição de ricos em conferência do clima

COPENHAGUE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu nesta quinta-feira mais ambição dos países ricos nas negociações sobre o clima e afirmou que a história cobrará a fatura dos que não cumprirem com suas responsabilidades.

Reuters |

"Os países desenvolvidos devem assumir metas ambiciosas de redução de emissões à altura de suas responsabilidades históricas e do desafio que enfrentamos", disse Lula em discurso na conferência do clima, realizada em Copenhague, junto a diversos chefes de Estado que também fizeram depoimentos

"O veredicto da história não poupará os que faltarem com sua responsabilidade."

Em seu pronunciamento, Lula defendeu um aumento máximo da temperatura média global de 2 graus centígrados como referência nos compromissos dos países.

"A ambição de reduzir em 50 por cento as emissões globais de gases do efeito-estufa em 2050 em comparação com o ano de 1990 ajudará a assegurar esse objetivo", afirmou.

As negociações na conferência de Copenhague, iniciada no dia 7 deste mês e que termina na sexta-feira, vive um impasse por conta de disputas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Entre os obstáculos está a divisão da redução de emissões de gases-estufa e de onde virão bilhões de dólares em financiamento para que países pobres lidem com as mudanças do clima.

Lula afirmou que a meta do Brasil de reduzir suas emissões em até 39 por cento até 2020 exigirá recursos da ordem de 160 bilhões de dólares.

"É inaceitável que os países menos responsáveis pela mudança do clima sejam os mais prejudicados", disse.

"Essa conferência não é um jogo onde se possa esconder cartas na manga. Se ficarmos à espera do lance de nossos parceiros, podemos descobrir que é tarde demais. Todos seremos perdedores", criticou Lula.

KYOTO REFERÊNCIA

O presidente defendeu ainda a manutenção do Protocolo de Kyoto, de 1997, segundo o qual os países industrializados, exceto os Estados Unidos que não ratificaram o acordo, terão de reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2012.

Durante a cúpula de Copenhague, países africanos chegaram a abandonar brevemente as conversações por considerarem que o mundo em desenvolvimento buscava "matar Kyoto".

"A preservação do Protocolo de Kyoto é absolutamente necessária. Ele não pode ser substituído por um instrumento menos exigente", afirmou Lula.

"Os países desenvolvidos devem tomá-lo como referência para a definição de metas de cortes profundos", argumentou.

O presidente ressaltou ainda a importância de controlar o aquecimento global para permitir o crescimento econômico e superar a exclusão social.

"A mudança do clima é um dos problemas mais graves que enfrenta a humanidade. Controlar o aquecimento global é fundamental para proteger o meio ambiente, permitir o crescimento econômico e superar a exclusão social", disse Lula.

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