EUA vão ajudar a mobilizar US$ 100 bilhões na luta pelo clima

COPENHAGUE - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou na manhã desta quinta-feira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, que os Estados Unidos vão ajudar a mobilizar US$ 100 bilhões ao ano para um fundo de médio e longo prazo caso haja um acordo na COP15.

Carolina Ribeiro Pietoso, de Copenhague |

"Hoje eu anuncio que, diante de um contexto no qual haja um acordo forte apoiado por todas as nações para a mitigação e adaptação de países em desenvolvimento, os Estados Unidos estão preparados para colaborar com outros países mobilizando conjuntamente US$ 100 bilhões por ano até 2020 para lidar com as necessidades relativas às mudanças climáticas nos países em desenvolvimento", disse a secretária de Estado.


Hillary Clinton discursa em Copenhague / AFP

"Essa verba virá de muitas fontes que serão determinadas depois. Primeiro é preciso haver um acordo e, para que isso ocorra, é preciso o comprometimento com investimento", disse. Hillary insistiu que o acordo terá de conter detalhes de transparência sobre o uso dos investimentos para que seu país mantenha a oferta.

Hillary afirmou que os Estados Unidos também farão sua parte em relação a investimentos em curto prazo, mas que um esforço contínuo é necessário para o combate à mudança climática. "Precisamos investir na ajuda aos países mais vulneráveis e mais pobres que precisam de investimentos para combater esse desafio", disse, reforçando depois que a ajuda será destinada aos "mais pobres e mais vulneráveis".

Ela disse também que "US$ 100 bilhões ao ano é muito dinheiro e é um compromisso real, que acreditamos ser apropriado e que funcionará e será eficiente para se combater os resultados da mudança climática".

Questionada sobre rumores de que a China não aceitará o tipo de transparência exigida para um acordo, Hillary afirmou que sem "o tipo de estrutura de transparência operacional descrita aqui não haverá investimento", deixando claro que os Estados Unidos abandonariam as negociações caso não haja acordo sobre transparência. No entanto, ela insistiu que nesse ponto das negociações não pode mais haver o clima de "nós versus eles, de conflito entre grupos" que permeou os últimos dias da conferência da ONU.

"Precisamos de um acordo operacional que ofereça soluções em longo prazo e estamos em um momento crítico", disse Hillary. "Nossa equipe, ao lado de muitas outras, está negociando para que haja um resultado positivo." De acordo com ela, "o presidente (Barack Obama) prentende vir (a Copenhague) e obviamente esperamos que tenha motivo para isso".

"Nos anos anteriores, negociamos e todos as partes concordaram em chegar a um padrão de transparência, então não faz sentido que aqui isso seja revertido", explicou. "Inúmeros projetos e propostas de transparência foram apresentados e só é preciso um acordo para que haja uma decisão", disse.

A reunião de Copenhagen é a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP-15. A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a discutir as mudanças climáticas em 1972, num grande evento em Estocolmo, Suécia. Os encontros se tornaram anuais em 1995, com a COP1, ocorrida em Berlim. A COP-16 ocorrerá em dezembro de 2010, na Cidade do México.

Leia também:

Leia mais sobre Conferência de Copenhague

    Leia tudo sobre: acordo climático

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG