Cúpula de Nova York avança pouco rumo a Copenhague

NOVA YORK - A cúpula da Organização das Nações Unidas sobre mudança climática permitiu que líderes mundiais falassem da urgência de se atuar contra o aquecimento do planeta, mas poucos compromissos concretos foram feitos.

Redação com AFP |

Um número recorde de mais de 100 países participaram da reunião extraordinária organizada em Nova York na véspera da abertura do debate anual da Assembleia Geral da ONU.

O objetivo era obter avanços às vésperas da cúpula de Copenhague, prevista para dezembro, na qual se tentará chegar a um acordo para entrar em vigor em janeiro de 2013, quando expirar a primeira fase do Protocolo de Kyoto. A intenção é deter o excesso de emissões de gases causadores do efeito estufa.

No entanto, no encontro de Nova York nem o presidente chinês Hu Jintao nem seu colega Barack Obama fizeram propostas capazes de desbloquear as negociações.

À frente da terceira maior economia do mundo, considerada o país que mais polui no mundo, o presidente chinês, Hu Jintao, se comprometeu a reduzir "significativamente" o aumento das emissões de gases poluentes de seu país daqui até 2020, mas sem indicar números precisos.

Já Obama pediu aos países em desenvolvimento que tomem medidas para reduzir suas emissões, embora tenha admitido que a crise financeira dificulta tal ação.

"Todos nós enfrentamos dilemas e dificuldades em nossas próprias capitais quando buscamos uma solução duradoura para o desafio climático", disse Obama.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, durante discurso na ONU

O primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama, que também participa do foro mundial pela primeira vez, foi um dos poucos a fazer promessas concretas. Hatoyama disse que a segunda economia mundial reduzirá em 25% suas emissões para 2020, em relação ao nível de 1990.

O primeiro-ministro sueco Fredri Reinfelt pediu aos participantes que "saiam do beco sem saída". "Estamos a 76 dias da conferência de Copenhague, mas as negociações avançam de forma muito lenta".

O presidente boliviano Evo Morales acusou o capitalismo de ser a raiz profunda do problema e disse que em Copenhague exigirá que os países ricos paguem a "dívida climática".

"O aquecimento global não é uma causa, e sim um efeito, é um resultado do sistema capitalista, que persegue o maior ganho possível sem levar em conta a vida dos demais", disse Morales.

O presidente do pequeno arquipélago de Maldivas, no Oceano Índico, Mohamed Nasheed, fez um apelo dramático aos líderes mundiais, já que as ilhas podem ficar submersas se o aquecimento do planeta provocar um aumento do nível do mar. Nasheed lamentou que os dirigentes se abstenham mais uma vez de tomar medidas concretas.

"Quando a retórica acabar e os delegados se retirarem, a simpatia se desvanecerá junto com a indignação e o mundo continuará igual a antes", disse Nasheed. "Alguns meses depois, voltaremos ao mesmo".

Já o ex-vice-presidente americano e Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, não se mostrou tão pessimista e afirmou que acha positivas as promessas de ações chinesa e japonesa contra o aquecimento do planeta.

"A China mostra um espírito de iniciativa impressionante para lutar contra o aquecimento climático", declarou Al Gore à imprensa, em um foro realizado à margem da cúpula.

Os objetivos de redução, antes de 2020, do aumento das emissões de CO2 da China vinculado a seu crescimento econômico apresentados pelo presidente Hu Jintao "não são insignificantes", estimou Gore.

Ao citar, além disso, os investimentos importantes feitos pela China em termos de energia eólica e solar, Al Gore afirmou que todos esses esforços são importantes.

"E dispomos de todas as indicações que mostram que, em caso de progressos importantes nas negociações (de Copenhague), a China estará pronta para fazer inclusive mais".

Al Gore felicitou igualmente o novo primeiro-ministro japonês e o compromisso de seu país de reduzir as emissões de gás de efeito estufa, além de anunciar um aumento das ajudas aos países pobres na luta contra o aquecimento global.

No encerramento do encontro, o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen, convidou líderes mundiais a participar da conferência em Copenhague. "O sucesso (do evento) depende, principalmente, do compromisso permanente de líderes de governo e Estado", afirmou.

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