Cúpula de Copenhague chega a acordo, apesar de oposições

COPENHAGUE - A cúpula da ONU sobre mudança climática (COP15), realizada em Copenhague, chegou na manhã deste sábado a um acordo mínimo, apesar da oposição de vários países e após um intenso debate que se prolongou durante toda a noite.

iG São Paulo |

A presidência da conferência anunciou que havia "tomado nota do acordo de Copenhague de 18 de dezembro de 2009", que incluirá uma lista dos países contrários ao texto.

A ONU recorreu a esta fórmula para tornar operacional o acordo, que foi duramente criticado como ilegítimo por países como Venezuela , Nicarágua, Cuba, Bolívia e Sudão.

"O fato de a ONU 'reconhecer' dá um estatuto legal suficiente para que o acordo seja operacional sem a necessidade de uma aprovação pelas partes", explicou Alden Meyer, diretor da ONG americana Union of Concerned Scientists.


Ban Ki-moon discursa neste sábado em Copenhague / AP

Para o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o acordo validado neste sábado é uma etapa essencial para um futuro pacto. "Talvez não seja tudo que esperávamos, mas esta decisão da conferência das partes é uma etapa essencial", declarou Ban à imprensa.

Para que pudesse se transformar em um acordo das Nações Unidas, o texto deveria ser adotado por unanimidade pelos 192 países presentes na conferência.

O texto estava sendo negociado desde quinta-feira e foi fechado na sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em reunião com vários chefes de Estado e finalmente com China, Índia e África do Sul, sob mediação do Brasil.

Trata-se de um acordo de mínimos, após o fracasso de 12 dias de negociações em Copenhague para conseguir um texto ambicioso que suceda o Protocolo de Kyoto, o único tratado que obriga 37 nações industrializadas e a União Europeia a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2).

O acordo, de caráter não vinculativo, está muito longe das expectativas geradas em torno da maior reunião sobre mudança climática da história, e não determina objetivos de redução de gases do efeito estufa.

No entanto, estabelece um total de US$ 10 bilhões entre 2010 e 2012 para que os países mais vulneráveis façam frente aos efeitos da mudança climática, e US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para a mitigação e adaptação.

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