COP-15: Conferência é paralisada por países em desenvolvimento

A ausência de propostas concretas por parte de países industrializados para a renovação do Protocolo de Kyoto levou ontem representantes de países africanos a paralisar a 15ª Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas. O novo impasse, também motivado por quebra de confiança na presidência do evento - que convidou 48 ministros para negociar em separado no domingo, alijando mais de uma centena -, tornou mais concreto o risco de fracasso nas negociações, que terminam na sexta.

Agência Estado |

O impasse entre industrializados e em desenvolvimento se dá, em parte, pela cobrança por um engajamento dos emergentes, como China e Brasil.

O enfrentamento diplomático aconteceu pela manhã. Inconformados com a falta de compromisso dos países industrializados, um grupo de negociadores africanos se retirou da reunião que discutia o texto-base do eventual "Protocolo de Copenhague". A decisão, que bloqueou a negociação, recebeu o apoio formal da China e do G77, o grupo dos países em desenvolvimento. Bernaditas Muller, representante do G77 mais a China, justificou a atitude dizendo que os países ricos estão dificultando as negociações sobre adaptação e financiamento. E também criticou o papel dos ministros recém-chegados a Copenhague. "A negociação vem ocorrendo há dois anos e todo o trabalho pode ser colocado em risco ao ser decidido por quem não o acompanhou de perto."
Em represália à ação do G77, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Japão, Rússia, Ucrânia e Finlândia bloquearam as discussões em outra plenária, sobre a renovação do Protocolo de Kyoto. O impasse só foi desatado no meio da tarde, quando as reuniões foram retomadas sem que um acordo tivesse sido alcançado. "Cada país industrializado ofereceu metas de redução de emissões. A questão em discussão agora é saber se essas metas satisfazem os outros países, e se esforços equivalentes estão sendo feitos", explicou Yvo de Boer, secretário-geral da Convenção do Clima (UNFCCC).

Desde o início da conferência, há oito dias, o debate em torno do chamado anexo B do Protocolo de Kyoto, em que seriam explicitadas as metas de redução das emissões de gases-estufa dos países industrializados para o período 2013-2020, está estagnado. "Esse assunto foi esgotado. Os países chegaram a Copenhague com suas metas na mão, e desde então nada de novo foi oferecido", disse ao Estado um do negociador sul-americano. "Ninguém mais tem autoridade para fazer novas propostas até que os chefes de Estado cheguem. O processo está engessado." Um dos epicentros do problema é provocado pelas ameaças da União Europeia, Japão, Canadá e Austrália de abandonar Kyoto caso os EUA não sejam signatários de um tratado internacional equivalente.

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