Climas extremos vão piorar com mudança climática, diz ONU

Relatório do IPCC afirma que eventos mais extremos devem se tornar mais frequentes por causa do aumento da temperatura global

Reuters |

AFP
Moradores atravessam ruas inundadas durante inundação em Bangcoc, no início do mês
Um aumento nas ondas de calor, chuvas mais intensas, enchentes e ciclones mais fortes, e deslizamentos de terra e secas mais severas devem ocorrer em todo o mundo neste século em decorrência do aquecimento do clima na Terra, disseram cientistas da ONU nesta sexta-feira.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) pediu com urgência aos países que elaborem planos para uma reação a desastres, visando a adaptação ao crescente risco de eventos climáticos extremos ligados às mudanças climáticas provocadas pelo ser humano, disse um relatório divulgado em Uganda nesta sexta-feira.

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O relatório apresenta probabilidades diferentes para eventos climáticos extremos com base nos cenários das futuras emissões de carbono, mas a questão principal é que o clima extremo deve aumentar.

"É praticamente certo que aumentos na frequência e na magnitude de temperaturas diárias quentes... ocorrerão no século 21 em escala global", disse o relatório do IPCC.

"É muito provável que a duração, frequência e/ou intensidade das fases quentes, ou ondas de calor, aumentem", acrescentou.

Representantes de quase 200 países se reunirão na África do Sul em 28 de novembro para realizar conversas sobre o clima, tendo como provável resultado um passo apenas modesto rumo a um acordo mais amplo para o corte de emissões de gases de efeito estufa para combater as mudanças climáticas.

A Organização das Nações Unidas, a Agência Internacional de Energia e outras entidades dizem que as promessas globais para cortar as emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa não são suficientes para impedir um aumento na temperatura do planeta em até 2 graus Celsius. Segundo cientistas, ultrapassar esse limite geraria riscos de um clima instável em que os extremos climáticos podem se tornar mais comuns e a produção de alimentos mais difícil.

As emissões mundiais de carbono subiram para uma quantidade recorde no ano passado, seguindo a recessão econômica.

Segundo o relatório do IPCC, ciclones tropicais devem se tornar menos frequentes ou permanecer iguais, mas aqueles que irão se formar devem ser mais agressivos.

Além disso, o aumento nos níveis dos mares é uma preocupação para pequenas ilhas-Estado, disse o relatório.

A previsão era de que secas, provavelmente a maior preocupação do mundo - considerando o aumento na população que precisará ser alimentada - também irão aumentar.

"Existe uma confiança média de que as secas irão se intensificar no século 21... devido à menor precipitação e/ou um aumento na evapotranspiração", inclusive "no sul da Europa e na região do Mediterrâneo, na Europa central, na região central da América do Norte, na América Central e no México, no nordeste do Brasil e no sul da África."

Existe uma grande chance que o aumento nos deslizamentos de terra provocados pelo recuo das geleiras e permafrost ligadas à mudança climática.

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