Clima ameaça 40% da biodiversidade na AL, diz estudo

Até 40% da biodiversidade de algumas nações latino-americanas pode ser perdida até 2100, caso as conversas em Copenhague não resultem em um acordo para a redução de emissões. A conclusão é de um organismo das Nações Unidas e consta de um relatório divulgado ontem.

Agência Estado |

O documento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), sediada no Chile, advertiu que a região, uma das que menos emitem gases causadores do efeito estufa, pode enfrentar um dos piores custos por causa das mudanças climáticas.

"Com um aumento da temperatura global de mais de 3ºC, alguns países ou regiões podem perder até 30% ou 40% de sua biodiversidade", afirma o relatório. Com esses índices, haveria forte queda nas chuvas na Amazônia, "causando uma deterioração substancial nas florestas, que são abrigo para algumas das maiores concentrações de biodiversidade".

O aumento nos níveis do mar causaria um grande movimento de populações e a perda de terra, enquanto os mangues na costa de países como Brasil, Equador e Guiana podem ser cobertos com água. As áreas costeiras do rio da Plata, na Argentina e no Uruguai, também seriam bastante ameaçadas. "Se não houver um acordo internacional para mitigar os efeitos da mudança climática, o custo para a América Latina e o Caribe pode ser até 2100 equivalente a 137% do atual Produto Interno Bruto (PIB) da região", adverte o relatório.

Até o fim do século, o custo dos desastres climáticos pode chegar a US$ 250 bilhões por ano. Atualmente, a média anual desse custo é de US$ 8,6 bilhões. Bolívia, Chile, Equador, Paraguai e Peru podem estar entre os mais afetados, perdendo até 60% de suas terras agricultáveis. Além disso, os suprimentos de água poderiam diminuir, notou a Cepal no relatório apresentado também na conferência sobre o clima na capital dinamarquesa.

O documento ressalta que os efeitos da mudança climática variam de país para país e permanecem imprevisíveis para este século. Alguns países, como Argentina, Chile ou mesmo o Uruguai podem inicialmente ter um aumento em sua produção agrícola, graças aos aumentos na temperatura, se elas subirem entre 1,5ºC e 2ºC até 2050. Mas qualquer número acima de 2ºC seria prejudicial no longo prazo.

"Ainda que a América Latina e o Caribe sejam a segunda região no mundo com a menor emissão de gases causadores do efeito estufa, à frente da África, ela está sofrendo os efeitos do aquecimento global mais que nenhuma outra", afirma o estudo. "Isso demanda com urgência apoio tecnológico e financeiro dos países desenvolvidos para os esforços da região de adaptação e mitigação." As informações são da Dow Jones.

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