Acordo tem de levar em conta planeta, e não interesses dos países, diz Marina Silva

COPENHAGUE - A senadora Marina Silva (PV-AC) participou na manhã desta segunda-feira de um encontro paralelo que debateu o progresso de projetos contra o desmatamento da Amazônia brasileira na conferência climática da ONU em Copenhague. Sobre a COP15, Marina disse ao Último Segundo que nós temos que ter aqui um compromisso à altura dos esforços que precisam ser feitos para o benefício do planeta.

Carolina Ribeiro Pietoso, de Copenhague |


Carolina Ribeiro
Marina está em Copenhague
Marina está em Copenhague
A senadora disse que não diminuirá suas expectativas em relação à cúpula, que termina nesta sexta-feira, opinando que cada liderança política tem de adotar uma ação pró-ativa e não subordinar sua decisão aos interesses de cada um dos países.

"Parece que na abertura da convenção foi feito um apelo para que se adotasse um acordo considerando as limitações de cada um dos países. Se fizermos isso, os interesses econômicos e as disputas de cada um dos países nos impossibilitarão chegar a qualquer resultado", afirmou.

Para a senadora e provável candidata nas eleições presidenciais do próximo ano, a principal consideração que os países têm de fazer é sobre a limitação do planeta e sua capacidade de suportar todas as intervenções humanos. "Esses impactos consequentemente levarão a um aumento de temperatura que, se for acima de 1,5ºC, causará danos irreparáveis", disse.

A senadora veio a Copenhague como parte da delegação brasileira de mais de 700 membros - a maior da cúpula - e ficará na cidade até esta quinta-feira, dia 17. "A delegação brasileira é grande porque busca efetividade nas negociações. Participarei de vários eventos com esse objetivo", garantiu.

Marina chegou atrasada à apresentação dos estudos promovidos pelo Woods Hole Research Center em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) por causa das imensas filas que se formaram na porta do Bella Center na manhã desta segunda-feira.

Ela foi apresentada à plateia pelo pesquisador Daniel Nepstad, que disse que a "reputação e o compromisso da senadora (com o meio ambiente) a precedem".

Sobre os projetos de REDD , Marina afirmou que eles devem ser vistos com cuidado, sobretudo na forma como serão colocados em prática.

"Em primeiro lugar (é preciso) que se tenha um respeito muito grande com as populações tradicionais, para possibilitar que sejam ouvidas e beneficiadas por essas ações", disse.

Marina também afirmou que a implementação do REDD tem de ser feita dentro de um sistema nacional, por existir uma guerra fiscal entre os Estados por esses projetos. "Isso causa uma pulverização de recursos e, no final das contas, não possibilita a qualidade necessária para que se alcancem os objetivos."

Marina explicou o seu papel na implementação de projetos de combate ao desmatamento quando era ministra do Meio Ambiente, afirmando que essas iniciativas dão "muito trabalho, mas também bons resultados".

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