03/11 - 15:07, atualizada às 16:15 03/11 - Redação
BRASÍLIA - O governo adiou para o dia 14 de novembro a definição da proposta que o Brasil vai levar para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague. O governo quer mais tempo para detalhar as medidas que serão tomadas por setores como agricultura e siderurgia para redução de emissões nacionais de gases de efeito estufa. Até o momento, a única proposta consensual é a redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020.
Pelos cálculos do governo, com a redução do desmatamento da Amazônia, o Brasil deixaria de emitir cerca de 580 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. ”É igual a todo o esforço americano se a lei deles passar no Senado”, comparou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O controle do desmatamento nesse patamar seria suficiente para baixar os níveis de emissões nacionais em cerca de 20%. Para chegar ao número final, o governo vai calcular qual será a redução possível em outros setores. A soma das outras medidas deve ficar entre 17% e 20%.
| Reuters |
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| Lula entre os ministros Dilma Rousseff e Edison Lobão |
Dilma afirmou que a proposta que será anunciada em alguns dias não necessariamente trará os números de redução de emissões em cada setor. “Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números, vamos apresentar as medidas. Até porque estamos fazendo de forma voluntária, porque achamos que é importante que o Brasil preserve suas características de país sustentável.”
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não descarta o número proposto por sua pasta, de redução de 40% das emissões até 2020, considerando crescimento econômico de 4% ao ano. “Nada está descartado nem definido.”
Segundo Minc, na reunião desta terça-feira foram apresentadas opções considerando cenários de crescimento da economia de 5% e 6% ao ano, a pedido da ministra Dilma.
Minc adiantou que a contribuição da agricultura será fundamental, com ações de manejo, plantio direto e recuperação de áreas degradadas. “A agricultura brasileira dará uma grande contribuição”, disse.
De acordo com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com a perspectiva de reduzir a zero o desmatamento do bioma em função da pecuária em dois ou três anos, a agricultura poderá até acelerar o cumprimento dessa meta. A questão é que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), segundo ele, ainda não apresentou os cálculos de quanto seria esse auxílio.
Stephanes citou também o uso de uma bactéria, utilizada hoje apenas no cultivo de cana-de-açúcar, que é capaz de absorver óxido nitroso, centenas de vezes mais potente do que o carbono em relação ao efeito estufa. Ele também defendeu o fim das queimadas, não só no plantio de cana, que já conta com uma diminuição do instrumento nos próximos anos, mas também para a pastagem. "Isso tem que ser mitigado", considerou. A recuperação de áreas degradadas faz ainda parte da lista de contribuições da Agricultura, bem como a transformação de dejetos de suínos e aves em gases e fertilizantes. "A tecnologia já está disponível. A questão será levar para todas as áreas", disse.
Essas medidas, na avaliação de Stephanes, não receberão críticas dos produtores porque, de acordo com ele, acabam auxiliando na ampliação da produtividade. Além das metas oficiais, o governo pretende traçar ações internas, que serão divulgadas em Copenhague, mas sem que haja comprometimento de cumprimento por parte do País. Seriam apenas objetivos a serem alcançados no âmbito interno.
(Com informações da Agência Estado e Agência Brasil)
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