Com Angelina Jolie, ONU lamenta pouca ajuda ao Paquistão

Angelina Jolie chegou como embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado da organização para ajudar os refugiados no país

EFE |

A Organização das Nações Unidas lamentou que o mundo ainda não tenha entendido a magnitude das inundações no Paquistão, onde chegou, nesta terça-feira, a atriz norte-americana Angelina Jolie, como embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, para impulsionar a assistência aos mais de 21 milhões de afetados.

"Neste desastre lento e progressivo, é preciso que a comunidade internacional desperte e ajude o Paquistão com uma nova visão", declarou, em entrevista coletiva em Islamabad, o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) na Ásia e no Pacífico, Ajay Chhibber.

Chhibber ressaltou que o mundo ainda não entendeu a magnitude do desastre no país asiático e reforçou o pedido de urgência de acelerar o ritmo nas doações que, por enquanto, somam pouco mais de US$ 1,1 bilhão.

Com o objetivo de mobilizar a comunidade internacional chegou nesta terça-feira ao Paquistão, para uma visita de dois dias, a atriz Angelina Jolie.

"Estou muito comovida com eles (os desabrigados). Espero poder fazer algo para ajudar", disse a estrela de Hollywood diante de um grupo de jornalistas na cidade de Nowshera, no noroeste do país, após ter visitado o acampamento de desabrigados de Jalozai.

"A situação das inundações é extraordinariamente complexa. É algo a longo prazo, que irá exceder o prazo de mandato dos presidentes", ressaltou a atriz, vestida toda de preto, exceto por alguns tons em grená, e com o cabelo coberto por uma "dupata", tradicional vestimenta do Sul da Ásia.

Jolie, que dias atrás fez uma doação pessoal de US$ 100 mil às vítimas, lembrou nesta terça-feira que há pessoas que já foram afetadas por tragédias em outras ocasiões, como alguns refugiados afegãos e os deslocados pelo conflito entre o Exército e a insurgência talibã.

Em sua quarta viagem ao Paquistão desde que, em 2001, se tornou embaixadora da boa vontade da Acnur - a última foi há cinco anos, após o terremoto na região setentrional da Caxemira -, a atriz visitará diferentes comunidades de desabrigados e se reunirá com trabalhadores humanitários e representantes do Governo paquistanês.

"Esperamos que (sua visita) tenha um grande impacto. É importante que as (grandes) personalidades façam o mundo consciente do problema", disse o representante do Pnud.

Chhibber argumentou, no entanto, que é importante que haja "mecanismos de supervisão e controle com credibilidade no país" para "ajudar a atrair mais recursos".

Entre contribuições entregues e prometidas, o Paquistão assegurou até o momento cerca de US$ 1,1 bilhão, dos quais US$ 818 milhões canalizados através da ONU e diversas ONGs, enquanto o resto chega diretamente às autoridades paquistanesas, segundo dados oficiais.

O organismo multilateral recentemente pediu ao Governo paquistanês que criasse um órgão independente para supervisionar as ajudas internacionais, a fim de garantir transparência na distribuição e assegurar que os fundos não sejam alvo de corrupção.

A medida foi anunciada em meados de agosto pelo primeiro-ministro do Paquistão, Yousef Razá Guilani, que na segunda-feira, durante encontro com os chefes das administrações provinciais, reiterou seu compromisso de iniciar o conselho, que será formado por 13 pessoas, representantes das diferentes regiões e do centro. Os nomes dos integrantes do comitê, porém, ainda não foram desvelados.

"O encontro foi muito construtivo. Estamos analisando-o e aguardando os detalhes", disse à Agência Efe, nesta terça-feira, o coordenador chefe da ONU no Paquistão, Önder Yucer. O organismo espera que a estrutura do conselho esteja definida já para o novo pedido de socorro financeiro, que acontecerá em 17 de setembro, dois dias antes de próxima reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Enquanto isso, a catástrofe, que desde o fim de julho já deixou 1.752 vítimas fatais e cerca de 21 milhões de afetados - sendo dez milhões sem nenhum tipo de alojamento -, segue agravando-se no sul do país com novas inundações.

Com 896 mil casos de infecções cutâneas e outros 705 mil de doenças respiratórias registrados em consultas médicas, os organismos humanitários voltaram a alertar nesta terça-feira que há risco de graves epidemias de malária - por enquanto, 139 mil casos foram registrados - e cólera, dado o alto número de diarreias agudas (639 mil casos).

Segundo um comunicado da ONU, o Ministério de Saúde paquistanês "confirmou focos de cólera" depois que cerca de 50% dos supostos casos da doença - endêmica no Paquistão - foram confirmados nos últimos dias. EFE igb/pa-dm

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