Paula Miraglia

Antropóloga analisa segurança pública, justiça e cidadania

Antropóloga e diretora geral do International Centre for the Prevention of Crime, Paula analisa segurança pública, justiça e cidadania

Afinal, qual é a política de segurança no Rio?

Sequência de episódios deixou claro que a negligência contribuiu de maneira determinante para os atuais níveis de violência

30/11/2010 09:35

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Os ataques violentos no Rio são justificados como um revide das organizações criminosas à transferência de presos para presídios federais e à política de ocupação de favelas por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Mas ainda que a explicação seja plausível para a ultima semana não é de hoje que o Rio é vitima da violência resultante de uma combinação complexa entre a ação dos traficantes, as milícias, uma parte corrupta da polícia e anos de inoperância das políticas de segurança pública.

As imagens são fortes: ônibus e carros queimados em diferentes pontos da cidade, marcas de tiro em profusão em bases policiais, tanques nas ruas, além de fotos que mostram o poder de fogo por parte dos criminosos.

As comunidades estão assustadas e o “clima de guerra” é evocado com frequência para descrever a situação.

Diante de um cenário que conjuga confronto e rendição, conquista e medo, dois aspectos chamam a atenção.

Em primeiro lugar, o fato de que tudo isso acontece em um momento em que o Rio tem, efetivamente, uma política de segurança pública. Uma política propositiva e capaz de mobilizar diferentes setores da sociedade entre ONGs, acadêmicos e gestores qualificados. E, o mais importante, que se anunciava como uma política que entende segurança pública como tema não apenas para a polícia, mas também para um conjunto de outras políticas sociais.

Seu princípio, cuja a ilustração são as UPPs, seria a recuperação de territórios e o reestabelecimento da vida comunitária. Empreender a transformação da favela em bairro implica, entre outras coisas, uma vida livre da opressão imposta pelo tráfico de drogas e pelas milícias.

Exatamente por isso é fundamental lembrar que o policiamento previsto para as UPPs enfatizava o modelo comunitário. Não se trata de ignorar a necessidade do confronto e da ação contundente da polícia no enfrentamento dos criminosos. Mas é preciso manter no horizonte que, passado esse momento crítico, a política de segurança terá de voltar a ser mais do que a estratégia do confronto.

Nesse sentido, para legitimar a política de segurança em curso e fazer dela um marco positivo na história do Rio de Janeiro, é preciso conduzir o momento atual nos limites da lei – não dar espaço para revanches, excessos e abusos de poder e violência por parte do Estado é tão importante quando enfrentar o crime.

Por outro lado, o que a sequência de episódios deixou claro é que a negligência contribuiu de maneira determinante para os atuais níveis de violência. Nesse sentido, esse é o momento de também discutir o tema das milícias e como o governo pretende enfrentá-las. Os depoimentos de apoio da população às operações dos territórios agora ocupados pela polícia evidenciam a opressão vivida no cotidiano das áreas dominadas. Não é de hoje que as milícias vêm ampliando seu poder de controle e vitimização da vida comunitária. Se o plano é reestabelecer a liberdade nesses locais, elas não podem ser ignoradas.

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Paula Miraglia - pmiraglia.coluna@gmail.com - Antropóloga e diretora geral do International Centre for the Prevention of Crime, Paula analisa segurança pública, justiça e cidadania

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    9 Comentários |

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    • José Roberto | 30/11/2010 18:59

      Este governo do Rio de Janeiro demorou demais para tomar atitude, houve várias perdas de vidas nestes ultimos quatro anos, agora ele tomou parcialmente uma atitude que podemos dizer para o momento ser correta, mas narcotraficante é igual micose se não eliminar ele volta e ainda tem a milicia que é muito complicado em desmantelar, pois, são homens mais preparado com capacidade de organização, por falar em organização o estado juntamente com a prefeitura deve se unir e dar condição para os moradores terem vida digna em suas comunidades, pois, esta precisa é de ação e não de promessas que não são cumpridas, este governador é centralizador, prepotente, dado a megalomania e com idéias retrogadas. é isso que a população do Rio de janeiro, não está precisando.

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    • Terezinha | 30/11/2010 14:39

      O governo acordou um pouco tarde,sempre que escrevi em espaços como esse eu já dizia,que havia dois governos paralelos," LULA X O CRIME ORGANIZADO",e quem estava ganhando sem duvida eram os criminosos. Hoje o crime organizado chegou na minha, na sua cidade, atraves dos persidios que foram construidos e que muito tem contribuido para para o aumento da criminalidade,já percebemos que vai ser dificil acabar com essa bandidagem. Somente fechando as fronteiras de Brasil,Paraguai, pra isso o governo tem que ter pulso forte,pois sabemos que o contingente de criminosos é muito grande e preparado. Essa medida tinha que ser tomada no momento em que os criminosos abateram aquele helicoptero da policia ,aquilo foi um afronto,um tapa na cara para todos nós,demorou,mas nunca é tarde. Que vergonha ver a desigualdade social naquela favela,enquanto os pobres moram em casas simples,sem o minimo de conforto,os traficantes aproveitam o dinheiro do trafico para viver em suas fortalezas,com piscinas,churrasqueiras, lindas paisagens etç. Só espero que essa devassa de traficante seja de verdade,pra valer,caso contrario,aqueles policiais podem sumir do planeta,pois correm o risco de ir para o microondas como o jornalista TIM LOPES. Em momento nenhum,vi um policial tomando uma agua, somente subindo aquelas ladeiras,com pesadas mochilas,empurrando aquelas motos,pobres policiais.. QUE DEUS PROTEJA TODOS VOCES,.

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    • Marcia | 30/11/2010 14:38

      Como cidadã carioca consigo ver, agora, alguma luz no fim do tunel...já estava sem muitas esperanças, porque entra governo, sai governo e tudo só ficava cada vez pior. Aí, vieram as candidaturas e resposta positiva para que sediemos a Copa e as Olimpiadas, parecia-me uma PIADA. E finalmente surge algo! Se é pra valer ou não, tb vai caber à opinião publica e aos formadores de opinião, passando pela imprensa, que seja cobrada uma continuidade, não so ações isoladas de "libertar esta e aquela comunidades". Nós, do "asfalto" estamos semelhantemente acorrentados e aprisionados; basta verificar quantos de nós deixamos de dirigir a noite, ou deixamos de voltar mais tarde para casa, ou deixamos de ir a um ou outro bairro da cidade pq passa pela Linha X ou Y. E Galeão? nossas viagens tem nos amedrondato pelo simples fato de termos que encarar a L. Vermelha. Isso lá é vida? Mas os impostos, sempre continuaram e continuam os mesmos! Vamos nós tb exigir que o poder publico faça seu dever, que é garantir nossa paz!

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    • Paulo Ilmar Kasmirski | 30/11/2010 14:29

      Essa

      Se pensamento fosse solução, o Brasil não, nos já teria dominado todos os futuros planetas se já estivéssemos ativado em tudo que diz respeito ao nosso futuro, como estamos saindo da desativação para ficarmos conectado

      Salário baixo faz faltar mão de obra cara

      E as faltas de visão que faltou para os que estavam poder no lugar para decidir deixaram de por todos os nossos descendentes nas escolas para saberem, mas que nos preferiram fazer ao contrario ate seus próprios descendentes ficaram viciados

      Ainda não conseguem entender como Lula foi eleito reeleito, elegeu com indicou que vai ser reeleita, saindo elegendo quem entra no lugar

      Foi recusado por falta de visão, o projeto da ficção de braços abertos, assim como Jesus Cristo esta, na época para começar no Rio

      Assim como os cariocas recebem os turistas do mudo inteiro de braços abertos com dólar o bolso e lucro nos bancos

      Criar a maior universidade de guias turísticos poliglotas do mundo tipo exportação, assim com todas as profissões

      Profissionalizar todas as praias do Brasil, assim quando a crise acabar estaríamos com a solução pronta

      Dar fim as favelas através do sistema associativo, construindo casa de gente e não de passarinho com toda a infra-estrutura geral incluída, para não entrar nos detalhes das coisas dos fatos estranhos ruins bons da ficção

      Agora muitos vão chorar não vai adiantar porque as pessoas não têm mais do e continuar com a do e plantar a dor em vez de não ter do agora e ficar com a dor que e a cura do futuro

      Isso implantado o Rio nem sombra dos acontecimentos atuais estaria sendo divulgado, tudo ainda tem tempo para ser concertado, mas parece que só começamos depois de acontecer por falta de iniciativa antes durante, e não depois de acontecer assim vai ser pelo mundo, ficamos com a do de agora movido a propina para sentir a dor do futuro já começamos a sentir pelo clima da natureza e pelo nosso clima

      No presente faltam guias turísticos poliglotas tipo exportação pelo mundo inteiro e profissionais de outras áreas para atender os navios em alto mar; e o que esta em alta no mercado entre tantas coisas que estão

      E levar tudo da vida real para as salas de aulas de todas as escolas em material didático de acordo com a idade

      Assim como por um departamento de terapia em todas as delegacias para evitar que aconteça antes durante, e não depois que acontecer assim em tudo, por que se tudo e nosso e nos somos os sócios de todo patrimônio publico pra ficar desativado fora disso se podemos ficar ativado para tocar tudo sem deixar ninguém desviar nada

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    • ALBERTO VICENTE CORVALÁN | 30/11/2010 11:27

      É maravilhoso ao final de decadas de criminalidade crescente (permitidas pelo poder constituido) verificar a união das diversas forças, com um planejamento invejavel, mostrar definitivamente o poder e a união do estado de direito. Meus sinceros parabens.

      Engo. Alberto Vicente Corvalán, ex morador do Rio.

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    • Otavio Mantovani | 30/11/2010 11:23

      Os espaços públicos ou, como dizem muitos, político, é sempre ocupado por alguem. Assim, se o Estado de Direito abdica de seu dever constitucional de prover a sociedade de regras e ações que possibilitem o pleno exercício democrático pela população, outro irá fazê-lo, porem sempre em benefício próprio. Assim, as ações policiais empreendidas no Rio de Janeiro revelam-se necessárias, porem não suficientes. Primeiro: para onde vai a essa "turminha" que comandava a vida social local? O serviço de inteligencia é fundamental. Não basta retirá-los do local, sem se prevenir a ação dos mesmos em outros locais, pois seria mera transferência de local. A população local necessita de ações sociais urgentes, a fim de dotá-la dos meios necessários para uma vida digna. Neste processo, a mesma deve ter voz e participação ativa, a fim de engajá-la definitivamente no processo, que é longo e que exige uma ação política firme e duradoura pois o principal componente do mesmo é de teor educativo. Que estas ações se mantenham por muitos anos após os eventos previstos para o Rio, e que nossa bela e eterna capital, possa mostrar a todos nós e ao mundo todo, as belezas inigualáveis que possui, e este povo alegre, trabalhador e cidadão, possa viver em paz e harmonia.

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    • gesiel | 30/11/2010 11:19

      E' UMA VERGONHA PARA SÃO PAULO, VER O GOVERNO DO RIO "INDO PRA CIMA DOS BANDIDOS", e o GOVERNO DE SÃO PAULO SE ACOVARDANDO DIANTE DO PCC. No Rio "SÓ MORRERAM BANDIDOS", ao contrario do que "ACONTECEU EM SÃO PAULO NOS ATAQUES DO PCC", quando morreram "VARIOS POLICIAIS".

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    • carlos henrique | 30/11/2010 10:31

      Deve-se dizer que ocorreu toda uma romantização da questão da violência, algo muito defendido por antropólogos, intelectuais e etc. Isso ocorreu especialmente nos dois
      governos do Sr. Leonel Brizola, quando havia ordens para que a polícia não subisse aos
      morros. Isso é lógico, fez o domínio dos traficantes aumentar. Deve ser salientado também,
      as nossas pouco repressora lei penal. É provavel que se Hitler fosse julgado no Brasil,
      talvez fosse absolvido.

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    • Adilson Barros | 30/11/2010 10:09

      Realmente é necessário ter uma compreesão da política de segurança que o Estado quer.Vejo apenas ações momentaneas e localizadas e com fragilidades nas incursões nas comunidades. Mesmo com uma divulgação da mídia que até parece o próximo "Tropa de Elite 3". Hora, se os marginais fossem tão eficientes nos seus propósitos jã tinham reagidos de forma igual ao aparato policial(ainda bem que não são). O que há aí, são interesses econ
      ômicos e de territórios. Quem manda e quem ganha mais. Pois coincidentemente as implantações das UPPs, são em
      àreas de uma unica facção. E incomoda os "cabeças" desta facção que so perdem dinheiro no narcotráfico. Agora temos que combinar o que há por traz de tudo isso. Em 2014 temos copa do mundo e 2016 temos as olimpíadas, fato inédito neste país. E dentro de uma política imediatista é necessário corta o mal pela raiz. O Estado precisa está organizado e com toda segurança necessária para receber o mundo inteiro aqui. E quem paga a conta? Somos nós contribuintes. São os moradores das comunidades, que na verdade paga uma única conta: a incerteza de que futuro lhes oferecem. E também se será permitido ou não a sua partipação nessses dois eventos de grande importância para o Brasil. a sorte está lançada!!!

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