Mateus Prado

Educador analisa o Enem, os vestibulares e o ensino brasileiro

Mateus Prado cursou Sociologia e Políticas Públicas na USP. É presidente nacional do Instituto Henfil e autor de livros didáticos. Presta assessoria em Enem

Prova de linguagens aborda a comunicação verbal, sonora, visual

Integração dessas formas de se comunicação será tema de cinco questões da prova do Enem

27/10/2012 08:00

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Chacrinha, o 'Velho Guerreiro', foi um dos principais comunicadores do Brasil. Até a sua morte, em 1988, era um enorme sucesso de público em programas de auditório, no rádio e na TV. Entre vários de seus bordões, um dos que se eternizaram foi "Quem não se comunica, se trumbica".

É justamente da comunicação que trata a primeira competência cobrada pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na prova de Linguagens, em geral a mais fácil de resolver e a que cobra mais competências dos alunos: 9. Assim como nas demais competências de Linguagens, a média é de cinco questões sobre esse tema, em cada versão do exame.

E a comunicação, como bem sabia Chacrinha, tem várias formas de apresentação. Além da verbal, utilizada quando escrevemos ou falamos, existe a sonora, quando tocamos um instrumento, escutamos uma música ou sabemos, pelos sons da TV, que o próximo momento de um filme será de perigo, de surpresa ou de terror. E a comunicação visual, quando vemos placas de trânsito, desenhamos, vemos materiais publicitários em grandes cartazes ou quando paqueramos, utilizando a linguagem corporal, aquela pessoa tão interessante.

A integração entre duas ou três destas linguagens é o que mais aparece nas questões que cobra esta competência. Como a linguagem sonora é difícil de ser avaliada em uma prova impressa e de alternativas (mas não impossível), é mais comum termos, como base para o enunciado das questões, textos que integrem linguagem verbal com a linguagem visual. Neste sentido é que propagandas, rótulos de embalagens, campanhas de conscientização da população, códigos não exclusivamente verbais criados para determinadas necessidades da vida em sociedade (como placas de trânsito e bandeiras dos países), que utilizam fartamente a associação destas linguagens, estão entre as principais expectativas de conteúdos para as questões que estarão no Enem na prova de Linguagens.

Dicas de Estudo
Desenvolvendo e aprimorando habilidades e competências
1. Acesse um site sobre clima e procure a previsão do tempo para sua cidade. Você vai notar uma série de desenhos (códigos) que o site utiliza como linguagem, para representar as condições do clima. Por que esses códigos são entendidos pelo conjunto da sociedade?
2. No blog: asmelhorespropagandas.blogspot.com você encontra algumas peças publicitárias interessantes. Em cada uma delas, relacione como a junção de diferentes linguagens foi fundamental para que a mensagem do anunciante fosse compreendida.
3. Lembre de algumas músicas que marcaram sua vida. Qual o significado que elas adquiriram para você? Você acha que todas as outras pessoas dão o mesmo significado a elas? Por que isso acontece?
4. As introduções das músicas “Time”, do Pink Floyd e “The Phantom Of The Opera”, do espetáculo de mesmo nome, quando ouvidas acabam por comunicar a expectativa de alguns acontecimentos. Quais expectativas são estas? Por que essas músicas transmitem essas mensagens?

Veja abaixo algumas questões, relacionadas à competência 1 de Linguagens (Comunicação) que já caíram nas provas do novo Enem:

Foto: Reprodução Ampliar

Disponível em: www.ccsp.com.br. Acesso em: 26 jul. 2010 (adaptado).

O anúncio publicitário está intimamente ligado ao ideário de consumo quando sua função é vender um produto. No texto apresentado, utilizam-se elementos linguísticos e extralinguístiscos para divulgar a atração “Noites do Terror”, de um parque de diversões. O entendimento da propaganda requer do leitor:

A) a identificação com o público-alvo a que se destina o anúncio.
B) a avaliação da imagem como uma sátira às atrações de terror.
C) a atenção para a imagem da parte do corpo humano selecionada aleatoriamente.
D) o reconhecimento do intertexto entre a publicidade e um dito popular.
E) a percepção do sentido literal da expressão “noites do terror”, equivalente à expressão “noites de terror”.

Comentário: A linguagem verbal é o uso da escrita como forma de comunicação. Neste caso, tanto a frase “Noites do Terror”, quanto “Quem é morto sempre aparece” cumprem o papel de passar uma mensagem utilizando-se de frases. Linguagem não verbal é o uso de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal, pintura, música, mímica, escultura e gestos como meio de comunicação. É o caso do desenho dos pés para cima, que simboliza a morte e, também, da brincadeira implícita na frase “Quem é morto sempre aparece”, em que o receptor deve conhecer o ditado “Quem é vivo sempre aparece” para absorver a ironia da frase usada nesta peça de publicidade.
Gabarito: D


Foto: Reprodução

Disponível em: http://www.ccsp.com.br. Acesso em: 27 jul. 2010 (adaptado).

O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A estratégia que o autor utiliza para o convencimento do leitor baseia-se no emprego de recursos expressivos, verbais e não verbais, com vistas a:

A) ridicularizar a forma física do possível cliente do produto anunciado, aconselhando-o a uma busca de mudanças estéticas.
B) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando tal postura.
C) criticar o consumo excessivo de produtos industrializados por parte da população, propondo a redução desse consumo.
D) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora de forma, sugerindo a substituição desse produto pelo adoçante.
E) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo humano que não desenvolve atividades físicas, incentivando a prática esportiva.


Comentário: Neste caso, temos um perfeito exemplo da utilização da chamada “linguagem não verbal”, em que a mensagem é passada não através das palavras, mas por imagens, figuras, desenhos etc. Esta peça publicitária chama a atenção do leitor para a imagem um tanto estranha de um saco de açúcar que possui barriga – associando logo o uso do açúcar a problemas de obesidade –, para depois apresentá-lo à solução: comece a usar adoçante. Tal recurso é muito utilizado na publicidade. Utilizar imagens pode ser uma forma de facilitar a compreensão do leitor.
Gabarito: D

 

Foto: Reprodução

Questão do Enem

 

A composição da imagem faz uso da chamada “apropriação”, ou seja, ela se utiliza de uma figura conhecida – a bandeira do Brasil – para remodelá-la de acordo com sua mensagem – no caso, alterando a frase da bandeira para “SOS Mata Atlântica”. Tal recurso tem dois impactos primordiais: o primeiro, visual, já que a bandeira é uma imagem conhecida e naturalmente chama a atenção de quem a vê. Depois, ao perceber a troca da mensagem, o leitor entende que a causa é tão importante que, de forma ilustrativa, deveria ser um lema, uma meta da nação brasileira. Sem esquecer que, popularmente, o verde bandeira representa as matas e a natureza do Brasil.
Gabarito: D

 

Foto: Reprodução

Questão do Enem




O emprego dos recursos verbais e não-verbais nesse gênero textual adota como uma das estratégias persuasivas:
A) evidenciar a inutilidade terapeutica do cigarro.
B) indicar a utilidade do cigarro como pesticida contra ratos e baratas.
C) apontar para o descaso do Ministério da Saúde com a população infantil.
D) mostrar a relação direta entre o uso do cigarro e o aparecimento de problemas no aparelho respiratório.
E) indicar o que os que mais sofrem as consequências do tabagismo são os fumantes ativos, ou seja, aqueles que fazem o uso direto do cigarro.

Comentário: Uma das maiores dificuldades das campanhas antitabagistas é mostrar ao consumidor de cigarro que tal uso pode prejudicá-lo de diversas formas, que vão além do câncer de pulmão. A iniciativa do Ministério da Saúde, de usar imagens “reais” de pessoas sofrendo pelo uso do cigarro, superou este obstáculo ao trazer, em linguagem simples e informativa, a mensagem de que o cigarro é mais perigoso do que se imagina. Se antes, na década de 90 especialmente, as propagandas anti-cigarro eram moderadas e não incitavam o choque, esta – realizada nos anos 2000 – usou recurso contrário e não escondeu imagens grotescas de ratos ou pessoas em situação de risco de morte.
Gabarito: D

 

Sobre o articulista

Mateus Prado - mateusprado@usp.br - Mateus Prado cursou Sociologia e Políticas Públicas na USP. É presidente nacional do Instituto Henfil e autor de livros didáticos. Presta assessoria em Enem

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