O profe$$or de A a B

Escola em Nova York desafia modelo protetor com um outro chamado TEP (The Equity Project), uma escola "charter" sem interferência

Lucas Mendes |

selo

Quando as cidades e os Estados americanos precisam cortar despesas, os professores são os primeiros sacrificados. Fogo neles. Em Nova York, 4.500 estão ameaçados, entre eles alguns dos melhores, porque pela lei Lifo (Last in first out , último a entrar, primeiro a sair) imposta pelo sindicato, os últimos contratados são os primeiros demitidos. Até agora as tentativas de mudar a lei fracassaram. Deixa o menino ficar burro.

Em Estados do meio-oeste americano, os professores vão perder dinheiro, benefícios e influência, mais um passo em direção à acelerada burrificação dos Estados Unidos, mas, como você vai ver, dinheiro pesa, e muito, mas não é o fator decisivo para fazer a cabeça da garotada.

Esta semana, em Nova York, ministros de 16 países e secretários de Estados americanos, estão reunidos para fazer um balanço da educação no mundo e nos Estados Unidos. Entre os países da OECD, Organização para Cooperação e Desenvolmento Econômico, onde estão a maioria das potências industriais, os salários médios dos professores secundários são mais baixos - US$ 39 mil - do que os dos professores americanos, US$ 44 mil.

A equivalência cambial foi calculada levando em conta o poder de compra das moedas. Com estes números, alunos dos cursos primários e secundários americanos deveriam estar em primeiro lugar nas três disciplinas avaliadas pela Pisa ( Program for International Student Assessment ), uma divisão da OECD que testa todos os anos estudantes de 15 anos em cinquenta países. Negativo. Os estudantes americanos aparecem em 15º em Leitura, 19º em Ciência e 27º em Matemática.

Há vários anos, os líderes são a Coreia do Sul, Finlândia e Cingapura, e a principal diferença entre eles está na qualidade dos professores. Nos três países, eles atraem a fina flor dos universitários, aqueles que figuram entre os 5% a 30% primeiros da faculdade. Oferecem, além do bons salários incentivos, segurança, condições excepcionais na sala de aula - dois ou até três professores para um numero reduzido de alunos nas salas. A profissão está entre as de maior prestígio social.

Na década de 70 fiz uma reportagem sobre os professores nas escolas públicas americanas, na época um modelo para o mundo. No primeiro ano de trabalho ganhavam quase o mesmo salário de um advogado recém formado (US$ 2 mil a menos). O recém publicado estudo da McKinsey and Company, mostra que um professor de Nova York hoje começa a carreira com US$ 45 mil enquanto os advogados começam com US$ 160 mil, uma diferença de US$ 115 mil.

Alunos primários e secundários não votam e esta impotência explica uma parte da burrice americana, mas os pais reagem e há políticos ricos, inteligentes e dispostos a mudar este quadro negro. Um dos grandes problemas é a "tenure", uma espécie de cátedra que, depois de três anos, protege os professores públicos. É quase impossível demiti-los, não importa o nível de incompetência na sala, ausência e até abusos físicos. Proteção sindical.

Uma escola em Nova York desafia este modelo protetor com um outro chamado TEP, The Equity Project, uma escola "charter", paga com dinheiro público mas administrada sem interferência do sindicato. O salário inicial do professor é US$ 125 mil por ano. Zeke Vanderhoek, um professor de 34 anos, criou e dirige a escola. Ele diz que aumentar o salário de um professor medíocre para US$ 125 mil não vai tirá-lo da mediocridade.

Numa campanha nacional onde milhares se candidataram, ele recrutou 15, com base não só no currículo mas com testes práticos que mostraram a capacidade de motivar os estudantes numa sala de aula. Esta é a condição número 1: "Como você leva um estudante do ponto A ao ponto B", é a reta essencial de Zeke Vanderhoek.

A escola, agora no seu segundo ano, fica em Washington Heights, um dos bairros latinos mais pobres de Nova York . São 247 estudantes de 10 e 11 anos. A meta é educá-los até os quatorze anos e provar que graças aos professores, chegaram ao ponto B. Depois de um ano, os alunos da TEP fizeram os testes e ainda não saíram do ponto A. Dos quinze professores, dois foram demitidos.

    Leia tudo sobre: lucas mendesescolaestados unidos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG