Ivan Lessa: Ninguém nos segura

Eike Batista entre os 10 mais ricos da Forbes e o Brasil com a sexta maior economia mundial

BBC Brasil |

selo

O Brasil teve uma excelente semana por este mundão de Deus. Quase que bate os 5 gols do Messi, esse “pequeno gigante”, como devem chamá-lo os locutores esportivos.

Mas não se pode ter tudo e a a gula é pecado venial, se é que estou bem lembrado das aulas de religião, quando estas, mais as de redação, francês e latim eram parte do currículo escolar.

Vamos em frente, no entanto, que atrás vem gente. 493 pessoas para ser preciso.

Março, mês beirando o início do ano fiscal, é quando a esplendorosa revista Forbes, especialista em dinheiros, casos, coisas e pessoas a ele ligados, publica sua lista anual das 500 pessoas mais ricas do mundo. Ricas em dinheiro vivo, investido, líquido ou qualquer uma de suas magníficas formas.

Brilhamos de novo este ano. Liderando o rol de magnatas, mais uma vez o mexicano Carlos Slim, também conhecido em seus círculos íntimos como Carlos “Fatboy” Slim, seguido de Bill Gates, que não possui círculo íntimo nenhum mas gosta de dar dinheiro para os pobres para compensar, diante do Senhor e dos homens, suas folganças cibernéticas.

Passando por cima dos 4 forbelizados de ouro seguintes, que nenhuma impressão deixam em quem lê sobre suas poupanças, chegamos a – tcham! – ao sétimo colocado que não é outro senão Eike Batista, aquele do sorriso que seduz e encanta, já que foto sua é sempre mostrando os bem cuidados, alvos e poderosos dentes.

Homem feliz da vida taí. Parabéns para ele, parabéns para o Brasil.

Agora ele embalou e, conforme já declarou à imprensa, especializada ou não, só descansará quando for o número um no ranking da Forbes, que calcula sua fortuna em cerca de US$ 30 bilhões.

Eike Batista, que muitos julgam teuto-brasileiro (vexame deu o Bayer Leverkusen diante do Barça, hem?), é um homem que faz qualquer de seus compatriotas (refiro-me ao quinhão brasileiro) encher o peito de orgulho.

Não só por constar de uma constelação de fazer inveja à Seleção de Ouro de 1958 e 1970, como por que Eike, com seus US$ 30 bilhões, só de imposto de renda contribui para os cofres da nação, com a dureza dos reais, para que o país possa manter abrigados, vestidos, educados e alimentados cerca de 62% de sua população terrestre, uma vez que a aquática não conta.

Isso para não falar de sua contribuição para um sem número de caridades, deixando Bill Gates a ver navios possivelmente construídos em estaleiros do rival que já virou tradicional.

Mas as boas novas não terminam com o sorridente e feliz Eike. Toda a imprensa, principalmente a britânica, noticiou com alarde, que é para não demonstrar a inveja e o despeito, que o Brasil superou a Grã-Bretanha tornando-se agora a sexta maior economia mundial.

Ninguém no governo brasileiro ou qualquer de seus órgãos comentou, como seria o caso, informais que somos: "Tomaram?", porque classe é classe e país sexta economia mundial não faz essas coisas.

O jornal britânico The Guardian, de tendência liberal, deixou de lado seus pudores e pôs-se a tentar galhofar da inédita situação. Publicou matéria de uma página quase comparando as duas nações, Brasil e Reino Unido, a fim de, como disse de preâmbulo, "distinguir uma da outra". Mágoa é mágoa e o texto sem graça só deixava entrever falta de modos e uma lamentável ausência do que já foi o clássico humor britânico. Falta de consideração foi o que foi, isso sim.

Não bastasse isso tudo, mais de um jornal noticia que a McDonalds vai comprar 90 mil galinhas bra-si-lei-ras para a preparação de seus petiscos aqui em Londres durante os Jogos Olímpicos deste ano.
Cante conosco, gente boa, e deixe essa bobagem de Vasco da Gama pra lá: "Casaca! Casaca! Casa-saca-saca! A turma é boa! É mesmo da fuzarca! Brasil! Brasil! Brasil!"

    Leia tudo sobre: ivan lessa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG