Ivan Lessa: Fidel e Obama, a paixão

Trechos da relação de amor e admiração do líder cubano e do presidente dos EUA

BBC Brasil |

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Já toquei no assunto neste canto em que me forço a caber. O rumoroso "caso", por uns tempos, entre Fidel Castro e Barack Obama.

Uma verdadeira obsessão segundo despachos diplomáticos tornados públicos pelo messiânico Julian Assange, aquele dos cabelos tingidos de branco, mandante chefe dos Wikileaks.

A missão diplomática americana em Havana se acostumara às inacabáveis diatribes de "el jefe máximo" contra o que, nas palavras de fel de Fidel, era a "tirania americana".

Pois caiu o queixo de muita gente boa – e má também – quando, em junho do ano passado, em sua coluna dirigida ao povo cubano e mundial, as "Reflexiones", o octagenário ex-quase líder deixava claro sua – é mais que admiração: beira a paixão – pelo novo e nobelizado novo presidente do país que não era, digamos assim, bem um irmão.

O discurso de Obama no Cairo a respeito das relações de seu país com os muçulmanos inspirou o caudaloso líder cubano a uma ponderação (e há generosidade em assim chamar sua reação) de 3,5 mil palavras, uma média raozável para "el caballo", como o chamam os poucos e cada vez menos íntimos.

Com moderação, Fidel chamou Obama de "excelente comunicador" e "dono de uma capacidade trabalho invejável".

Mas o que é bom dura pouco. Já diz o velho ditado que amores que não passam de fogo de palha. Pois assim foi.

O que poucos sabem, e nem a loira (ou será branquíssima?) cabeça de Assange poderia adivinhar ou sofrer vazamento, é o que Fidel, em seu caderno de anotações pessoais, páginas e mais páginas de intimidades poéticas, deixou bafejado por suas musas caribenhas e fortemente influenciado não por García Lorca mas sim pelo bolero (não debochemos, irmãos), volume guardado não a sete mas a quatorze chaves, o que poucos sabem, repetindo meu refrão, é o conteúdo deste affair passageiro, esta quase cega paixão que bateu no gigante de Havana.

Com exclusividade absoluta a BBC Brasil conseguiu forjar alguns trechos mais – arram! – picantes deste grosso caderno com uma foto de Maria Anonieta Pons, mas também pode ser Ninon Sevilla, na capa.

Eis uma pequena seleção feita com a merecida evolução de um caso de amor. Lembrando que o bolero é a mais pefeita expressão de um caso de amor, quase sempre passageiro. Roa-se de inveja, Asange, roa-se de inveja.

***

La gloria eres tu... tu dulce alma es toda sentimiento... de esos ojazos ojazos negros me enamoré... tienem un raro fulgor... si me comprendieras, si me comprendieras... eres un encanto... solo, temblando de ansiedad estoy siempre que penso em ti o te vejo en la televisión... Te he buscado por doquiera que voy... Esta es lá história de mi vida... De este relógio implacable que no cessa de bater... Contigo em la distancia, ya lo sé, es una forma de morir.. Pero escucha, corazón: debemos separarnos... Ocultar, eclipsar este amor brujo... Y no me preguntes más... Usted también, es lamentable, es lo colpable de todas mis angustias y amargos desencantos... Obama, perverso, te burlaste de mí... Nunca fuiste mío, nunca serás mío, ni yo para ti... Es nuestro destino separados vivir... Todo fué un fuego no más...

***

Segundo outra fonte, aqui neste espaço mesmo forjada, Fidel, num momento de impetuosidade adolescente (ele, um octagenário!), separou trechos selecionados e mandou-os, com os préstimos de um intérprete, tristemente desaparecido logo após cumprido seu trabalho, para aquele que, na linguagem ultra secreta do serviço secreto americano, é conhecido como "Potus", um codinome para "President of the United States", que segundo – e aqui entram as más línguas e os boatos, nada de vazamentos – consta teria enviado a seguinte, sucinta e elegante resposta: "Thank you for your kind offering. All the best to you and your people."

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