Ivan Lessa: Eta, banana boa!

Descobriram que é a fruta ideal para se começar a dar aos infantes, a partir dos 3 anos

Ivan Lessa, BBC Brasil |

Não é pelo fato de estarmos em pleno Carnaval que cito aqui a banana. A banana é um fruto (oblongo, me garante o Houaiss) com possível origem na África, embora haja uma escola que o vê como tendo o sudeste asiático como berço.

A banana é o fruto mais popular do mundo. E o mais consumido. Possivelmente também o mais sugestivo. Muitos pedantes gostam de a ele se referir como "suprema dádiva dos deuses". Às deusas, entidades menores, outros deuses e pessoas meramente interessadas também, quero crer.

Nós, brasileiros, mesmo sem safadeza, longe dos dias oficiais de samba, somos o país que mais produz e consome bananas. Falou em banana, falou com a gente. E não vamos à banana em busca de mera satisfação do paladar. Os mais esclarecidos, um número cada vez maior em nossas terras, sabe que a banana é pródiga em vitaminas A e C, fibras e potássio.

Alguns pedantes, não sem razão, apontam-na como dona de leves poderes radioativos, o que não significa que ela, em época ou parte alguma tenha se assumido poderes dignos de livro ou filme de ficção científica. A banana é um fruto de paz e amor, bicho, conforme já se disse em épocas de hippies e tropicalistas.

Por sermos os grandes consumidores - e por que não? - conhecedores desse fruto (uma das poucas frutas que vem embalada em fragrante e ostentosa masculinidade) deveríamos ser também seus grandes produtores. Não o somos. Perdemos para a Índia que produz quase 17 milhões de toneladas por ano. Ficamos em menos da metade: 7 milhões de toneladas.

Mas que bananas, sô dotô, que bananas! Damos de 10 a zero em qualquer país que aparecer botando banca com cacho de banana. Temos os mais variados tipos do mundo. Para citar apenas os mais óbvios, sabedor que não preciso refrescar a memória do ilustre leitor, aí vão apenas as bananas mais óbvias, e das que mais falta sinto neste oásis de bananais: banana d'água, nanica, banana-maçã, banana-ouro, banana-abacaxi (quem diria, hein?), banana-pão, banana-terra e as outras que, neste momento, por manhas de de Momo, talvez, me embananei e "se esqueci". Que bananosa! No entanto, os gourmets das bananas, quase unânimes, citam sempre a "Prata de Minas" como a mais esplendorosa em meio a tantos esplendores.

Só um idiota desfilaria as diversas e saborosíssimas maneiras de se preparar a "sobremesa de Apolo", como já a apodou um poeta menor. Nunca se esquecendo que a banana dá sabor e picardia a vários pratos salgados, como, por exemplo, o cozido, não esquecendo de forma alguma o feijãozinha com farofa.

Em todo caso, só para não deixar passar em branco este manjar dos deuses: banana assada, banana frita, banana cozida, amassada com açúcar e canela e, já com o apetite uivando, paro por aqui.

Não nos esqueçamos das conotações insalubres da banana. Graças ao que já foi chamado de "imperialismo ianque", via sua multinacional United Fruits, as repúblicas desimportantes e que se especializavam em plantar e colher apenas aquilo que seu mestre mandava, passaram a ser conhecidas como "Repúblicas de Bananas", que, nós, em tempos passados, época de autoflagelo, costumamos, devido à influência vil de algum canalha pouco patriota, chamar-nos a nós mesmos de "Bananão".

Aqui, em terras de estrangeiro, sinto falta de uma boa banana (não riam), e não estou sendo momescamente vulgar. Vou até a esquina e compro um cacho de bananas. Ponto. Não há escolha. No Reino Unido, uma banana é uma banana é uma banana, como a rosa de Gertrude Stein. Nanica, maçã, ouro? Ora, vira pra lá esse canhão, "seu" Patel da vendinha. Pasta dental ou cereal para se tomar com leite (ai, uma bananinha cortada no meio!) tem aos potes e fora deles também. Menos a banana, que eles só conhecem uma espécie. Em geral, com cica, o que um bom produto não indica, pois não?

Por isso, neste Carnaval de 2011, além de cantarolar e sambar mentalmente todos nossos sambas e marchinhas onde o mais sexy dos frutos fez suas aparições ("Yes, Nós Temos Bananas", "Banana Menina", "Chiquita Bacana" e por aí afora), regozijo com a nota catada no jornal que, por uma vez, não é sobre Khadafi: ao que parece, segundo especialistas em nutrição, descobriram que a banana é a fruta ideal para se começar a dar aos infantes, a partir dos 3 anos.

Cortadinhas, de início. Com o tempo, irão descobrindo suas preferências. Só sinto que os pobrezinhos não poderão escolher as variedades que estão aí na nossa - ou vossa - frente e que, talvez só mesmo um carnaval, os traz à mente e quase, quase ao paladar.

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