O ano sabático que a mulher de Jay-Z resolveu tirar e, assim, dar um tempo na carreira

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Insisto, não desisto. Minha campanha em prol de um tabloidismo construtivo, embasada – se me permitem um pedantismo – em celebridades, ou celebs, tal como acontece aqui, prossegue.

Já falei de Agatha Christie e seu pioneirismo no hoje popular esporte do surfe, critiquei da forma a mais elegante possível a disponibilidade de Julia Roberts a um retoque computadorizado por uma das mais famosas indústrias de cosméticos e, hoje, volto minhas atenções para o mundo inquieto da música popular contemporânea. Falarei de Beyoncé.

Assim, à primeira vista e escutada, seu prenome de pia batismal parece um trecho mal grampeado de uma conversa entre dupla de caipiras brasileiros (“Bê ocê em que me meti, cumpadri...”).

Na verdade, em seus documentos, que ela, seguramente os tem, lá deve estar Beyoncé Knowles, uma vez que é casada, no civil e no religioso, com o Jay-Z, né Shawn Corey Porter-Knowles, que, com hífen e tudo, preferiu o popular nome artístico com que passou a ser conhecido como rapper, produtor fonográfico, homem de negócios e a cara-metade da minha focalizada de hoje.

Beyoncé me despertou a atenção com uma pequena nota nos jornais populares da Grã-Bretanha. Nota que, por não conter morte, sexo ou drogas, passou quase que despercebida. Tanto cá quanto aí, ouso prever. Trata-se de um exemplo edificante e quisera que mais artistas populares o seguissem. Sem maiores delongas, adianto logo os fatos. Que, atenção, em momento algum podem ser chamados de fofocas ou futricos.

Beyoncé é aquilo que a mídia, em raro momento de sensatez, decidiu batizar apenas de “diva pop”. Em recente entrevista a um – vejam vocês as ironias do destino – tabloide popular e sensacionalista, The Sun, explicou o que a levou a fazer uma pausa em sua carreira de composição de músicas e intérprete emérita dos gêneros pop, funk, hip hop e soul, interrompendo uma jornada de sucessos onde enfileirou seis prêmios Grammy e construiu um patrimônio financeiro dos mais respeitáveis graças a seus 86 milhões de discos vendidos, sendo que a notável revista Forbes (uma das 50 mais folheadas nas salas de espera de dentistas exclusivos), no ano passado, deu-lhe o segundo lugar numa lista das 100 pessoas mais poderosas e influentes do mundo.

Muito bem, o que levou então Beyoncé à pausa em questão? Sabe-se que não houve nenhum problema entre ela e seus principais patrocinadores, tais como Pepsi, Armani e o agora quase notório produtor de cosméticos L'Oréal (sim, o da Julia Roberts), Beyoncé é uma mulher sem retoques artificiais. Seus retoques são de berço e criação, essa sua personalidade artística e as características individualistas que presta a cada número que compõe ou interpreta.

Beyoncé, vejam vocês, e acreditem, informa que, segundo a senhora sua mãe, as coisas estavam começando a ficar muito confusas. Assim sendo, nessa encruzilhada artística, a "mamãe" de Beyoncé aconselhou-a a tirar um ano sabático para cuidar de sua saúde mental. Beyoncé acrescenta: "Eu nem conseguia dizer em que cidade estava. Convidada a cerimônias em que seria premiada só pensava em minha próxima apresentação."

Assim sendo, e em conjunção com seu cônjuge, Jay-Z, passou o casal, depois de se certificar da definição correta de "ano sabático", girando por um ano mundo afora, visitando museus, assistindo a espetáculos de balé e, inclusive, viajando para China com a expressa intenção de conhecer a Grande Muralha.

Uma cena imaginária corre diante de nossos olhos como um filme do Fellini dos seus melhores anos.
Beyoncé para Jay-Z: “Puxa, bem, como é grande essa muralha, hem?”

E Jay-Z, já bolando um hip-hop a respeito: “Impressionante, neguinha”. Procurando, no íntimo, rimas adequadas para “Tcháina”, tal como se pronuncia em inglês.

No caso, no diálogo acima, dei o salto quântico para um outro tipo de jornalismo que, com o tempo, deverei abordar: o jornalismo de ficção. Sim, ficção, mas benévola ou, se preferirem, insípida.

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