Ivan Lessa: A prostituição em marcha

Prisão em massa de prostitutas de rua em Londres é efeito colateral dos Jogos Olímpicos

BBC Brasil |

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Os efeitos colaterais dos Jogos Olímpicos de Londres fazem-se sentir nos menos esperados setores da sociedade britânica.

Já começou a prisão de prostitutas de rua (entre 4 paredes, nos bordéis ou prostíbulos, que são legais, pode) nos arredores de logradouros onde serão realizados eventos esportivos, menores ou maiores.

As autoridades não param de falar nos benefícios financeiros que a chusma de turistas trará a esta metrópole este ano olimpiadizada.

Do pipoqueiro ao vendedor de bandeirolas, todos vão levantar uma nota boa, garantem. Menos as prostitutas de rua.

Nos 3 primeiros meses deste ano, já foram presas 44 praticantes daquela que é comumente chamada de mais antiga das profissões. No ano passado, no mesmo período, 31 foram retiradas das zonas – em seu sentido neutro – em questão.

Foi instituído ainda um "toque de recolher", das 22 horas às 6 da manhã.

Onde começam as indagações: ou a prostituição pedestre ao ar livre é totalmente proibida ou completamente liberada.

A prostituição de rua não deve ter horário fixo ou jornada de trabalho. Como os 100 metros fundos, ela tem suas regras.

Se é para seguir à risca, onde os benefícios sociais, a medicina socializada, os direitos a que toda profissão tem?

Houvesse, e acho que há, uma espécie de sindicato ou guilda nos moldes de nossa exemplar Daspu, que deu, dá e dará ao mundo uma lição em matéria de prostituição. "As prostitutas unidas jamais serão vencidas", grito no espaço cibernético para mim mesmo como se eu fosse escolado cáften (forma preferida a cafetão pelos seguidores do Dicionário Houaiss) em defesa de minhas "meninas" ou "minas" como se estivessem essas disputando o salto triplo.

Sugiro que, em sinal de protesto, as "garotas de programa", termo mais bem aceito por uma sociedade que continua a manter acesa e passando de mão em mão, gerações afora, sua tocha de preconceitos e hipocrisias, sugiro que, tartamudeava eu, as jovens, mesmo não sendo tão jovens assim e excessivamente pintadas, realizem, à maneira daqueles que os politicamente incorretos chamam de "deficientes", suas próprias Olimpíadas.

Provas como o arremesso do dardo de marido infiel, 4 x 100 com barreira de paqueras desmotorizados, lançamento do martelo na testa dos guardas de esquina, salto em altura com uma vara "deste tamanho", tudo isso são provas que, estou certo, seriam vistas com interesse e aplaudidas por um público pagante disposto a morrer em alguns cobres para ver o que, tal como na Grécia antiga e no ideário do Barão de Coubertin, aquilo que se poderia chamar "um amorzinho legal" disputando pelo simples prazer de disputar. Mas com camisinha de suas cores prediletas: o vermelho-Shakira, o azul-Di Caprio e assim por diante.

Já que o assunto é prostituição, impossível deixar de mencionar o 2 de abril, data em que, na calada da noite, no ano de 1982, militares argentinos, por ordem da ditadura do momento, ocuparam, em traiçoeira manobra o que, em seu entender, lhes pertencia por direito e tradição, e fora usurpado de brutal forma imperialista pela "pérfida Albion", qual seja, as ilhas que chamavam de Malvinas (nome de meretriz milongueira) e que os britânicos batizaram com o sóbrio nome de Falkland, numa homenagem digna e aristocrática a Anthony Cary, 5º Visconde Falkland (1659-1694).

Nas disputadas ilhas, segundo todos os relatos pesquisados, não havia uma única marafona trocando alguns momentos de "prazer" pelo vil metal.

Por outro lado, é sabido que, em torno dos cais de onde zarparam as tropas invasoras, conforme a tradição decantada em tangos mil, algumas dezenas de "mulheres da vida" (Margot, Yvonne, Mimi et caterva) choravam e agitavam lenços como na letra de "Ya te vás, mi guapo"?

Não fosse a indomável "Dama de Ferro", Margaret Thatcher, com o auxílio dos americanos, principalmente Caspar Weinberger, as ilhas em questão continuam livres de piranhas e mantêm seu nome original, Falklands, e não Las Papusas.

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