Ivan Lessa: Dior e o nazismo!

A história de John Galliano, o passado da marca e as clínicas de racistas

BBC Brasil | 16/03/2011 09:42

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Tudo tende a chegar ao Brasil. Segunda Lei de Lessa, mais comprovada do que a da termodinâmica. Se não chega hoje, estourando amanhã.

Às vezes, infelizmente, é “estourando” literalmente mesmo. De qualquer forma não temos terremotos ou tsunamis, e se os tivermos, são discretos e nós, serenos e altivos, fazemos de conta que é com o Chile e olhamos para o outro lado, onde alguma novidade deve estar acontecendo.

O perigo é o mundo da moda. Estamos por dentro demais. Afinal fomos nós que inventamos as Fashion Weeks, que o resto do mundo, sempre de sapato mambembe e ombreiras, insiste em chamar pelo nome que se dá na língua corrente do país em questão. Feito aqui em Londres ou em Paris onde o grande evento, cuja moda (sejamos docemente galhofeiros) acaba de passar, é chamado, macacos de imitação!, de Semana da Moda de Londres e Semana da Moda de Paris. Assim mesmo na fala com que versejava Olavo Bilac e Casimiro de Abreu e não Tennyson ou Verlaine.

(Atenção, seguidores do tema em pauta: as ombreiras, tanto para homens quanto mulheres, voltaram a gozar de popularidade. Não foi rata minha, não, senhor. Estão quase tão populares quanto vestido feito de carne podre, conforme urrou em grande estilo (estilo, estilista, sacaram?) a inefável Lady Gaga ainda outro dia mesmo.

Retomo minhas ponderações, como o fazem as pessoas com mais de uma camisa e dois pares de meia. Tudo tende a chegar ao Brasil. Pergunto-me, e a quem estiver presente a estas anotações, se já chegou aí, nem que seja para um camarote de honra durante desfile de escola de samba, o estilista John Galliano? Se chegou, nada tenho de novo a acrescentar, se não chegou, segurem-se, malandros, que a história é boa.

John Galliano, inglês de nascimento, origem étnica obscura, uma vez que nasceu em Gibraltar, coisa que as pessoas decentes não fazem. Tem 51 anos, mas ninguém lhe dá mais, nem ele o merece.

John Galliano teve o passe rescindido pela maison Christian Dior no dia 1º de março do ano corrente. Foi para a Dior ganhando uma fortuna mirabolesca e até mesmo mirabolante em 1997, depois de um extraordinário sucesso no país que tão gentilmente o acolheu, cobriu-o de honrarias e onde fez seu nome e fortuna passando o velho “conto do estilista”.

O “conto do estilista” é simples. A pessoa chega, passa uns tempinhos num suadouro ao lado de imigrantes ilegais aprendendo o ABC da costura por uns míseros vinténs. Depois, armado de um bom patrono, e esses têm olheiros em tudo quanto é dickensiana casa de agulha e linha, arma e financia seu próprio ateliê.

Passa-se, então, a se chamar, e ser chamado de, não riam, “estilista”, essa gentarada que já foi costureiro ou modista. Guiam-se pelo princípio básico de que moda, casa de modas, tem que ser bem cara, inacessível aos cidadãos de mentalidade razoavelmente instável, e levar uma boa, uma generosa mão de teatralidade.

O “estilista” se inventa e suas, no linguajar da profissão, “modelos”, como o pessoal da música pop se inventa. Na roupa, no corte de cabelo, nos ademanes nos – mais uma vez um ouro sobre azul de palavras – modismos. Há conselheiros, anônimos, trabalhando por trás dos bastidores: gente que entende de teatro e teatralidade.

Eles é que vendem o espetáculo degradante de ver mocinha esquelética desfilando na passarela vestida como refugiadas de Dachau ou Buchenwald. E não precisam me dizer que a analogia é de mau gosto. Mau gosto é com “estilista” e “estilismos”.

No que chego ao ponto. Galliano, em Paris, foi flagrado num bar por um casal de turistas judeus, armados de celulares, perorando contra o povo, o país, a religião semita. Escândalo! Um pouco demais mesmo para quem de escândalos vive.

A Christian Dior foi rápida no gatilho. Galliano foi prontamente demitido e hoje só se sabe que, como boa celebridade , internou-se numa clínica de reabilitação, uma dessas famigeradas rehab. Vejam só, em pleno 2011 há casa de saúde especializada em tratar de racistas.

O que os jornais não contam são dois ou três fatos interessantes. Christian Dior, o original, o fundador da casa de modas, era nazista, amigo pessoal de Adolf e Eva Braun. Uma sobrinha do homem, Françoise Dior, neo-nazista, casada com o nazista inglês, creio que pouco neo-, Colin Jordan, não se cansa de dizer que Hitler é “o grande herói” de sua vida. Aqui e ali, imprimem baixinho, jornalecos e jornalões, que ela já andou às voltas com bombas em sinagogas para deixar bem clara sua posição e divulgar o “pretinho e vermelho” com suástica em torno do decote da velha colaboracionista Coco Chanel.

 

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