Ivan Lessa: Vamos tirando esse vestidinho e diga 33

Brasileiro se fazia passar por médico em Londres e abusava das pacientes

BBC Brasil |

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- Doutor, que é que o senhor está fazendo aí?

- Não se preocupe, minha senhora. A ciência moderna é sempre complicada. Vamos tentar mais uma vezinha.

O diálogo é fruto malsão de minha mente. Os fatos foram publicados em meio ao atual êxodo brasileiro da Grã-Bretanha. Pinço o trecho do processo em que as coisas estão.

Um vigarista brasileiro, de avental branco e estetoscópio ao redor do pescoço passou alguns anos se fazendo passar por médico.

Abusou sexualmente de cerca de seis mulheres, conforme foi declarado em tribunal de Londres. O nome do "repugnante indivíduo", como nossa imprensa o chamaria há uns 20 ou 30 anos, é Antonio Gobbato e tem 51 anos de idade e sabe-se lá quantos de charlatanice.

Há quase uma década vem posando como médico da NHS (o sistema de saúde britânico) e, de sobra, dizendo-se ginecologista, pediatra e psiquiatra, sempre fazendo uso de qualificações falsas ainda tendo sua procedência verificada na côrte.

O "doutor" (aspas que ele merece) era chegado a apalpar os seios das pacientes e dar uma boa conferida em seus órgãos mais íntimos.

As pacientes não eram só brasileiras. Muitas cidadãs destas ilhas também.

Gobbato chegou a dizer a três casais que seus filhos estavam acometidos de grave doença que punha suas jovens vidas inocentes em jogo. Desta forma, o júri ficou sabendo como o charlatão separava o rico tutuzinho do bolso de seus clientes.

Gobbato, cuja mente merece um bom estudo, findo o caso judicial, gostava de se chamar de "O Lobo Mau", como no desenho animado ou na canção bossa nova de Carlinhos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Sabe-se lá porquê.

A promotoria enfatizou o fato de que o Lobão, chamemo-lo assim, tinha em sua alça de mira principalmente as mulheres, segundo a promotora Linda Strudwick, que acrescentou ainda que um médico reunindo as qualificações fidedignas jamais iria mandando logo que suas pacientes se despissem assim que pusessem o pé em seu consultório e nem passasse um diagnóstico afobado de que seus filhos estavam gravemente enfermos.

Em 2009, durante dez meses, a partir de agosto, o "Lobão" Gobbato conseguiu e dirigiu vários consultórios na capital do país, principalmente no sul de Londres, onde, para ser franco, não brilham lá muitas luzes. Os jurados ficaram sabendo ainda que ele cobrava pelas receitas falsas de pelo menos seis pacientes, inclusive uma para chá.

O júri ficou ciente ainda de que ele andou apalpando e acariciando os seios de uma mulher que se queixava de problemas com o fígado. Nosso compatriota deve ter explicado as enredadas ligações de um órgão interno para outro, alegando mesmo estar à cata de "nódulos e hormônios", conforme explicou com cara de pau o réu.

O "doutor", de certa feita, conseguiu convencer uma senhora dona mãe e pagar uma viagem para ele e a filha da dama em questão afim de que dessem uma chegada à Itália, com dois objetivos: curar a depressão da moça e o alcoolismo do pai. O resultado da excursão, ou peregrinação, não foram divulgados.

Antonio Gobbato nega de pés juntos, ao contrário de tanta paciente sua, sete acusações de agressão sexual, duas de tentativa de fraude e uma única de fraude simples.

O julgamento prossegue. Muita gente acompanha para ficar a par de novos e picantes detalhes médico-sexuais.

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