Ivan Lessa: Primeira dama de primeira

Mulher de François Hollande, Valérie Trierweiler vai continuar exercendo profissão de jornalista

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Passou quase que despercebido diante do mundo, e mesmo nas regiões mais distantes e atrasadas da velha França, como a vitória do socialista André (ou François, Jean-Paul, por aí) Hollande possui outros aspectos também tão ou mais significativos do que a ascensão pacífica e por vontade popular, inda que por margem mínima como a altura de seu adversário, dos ideais revolucionários do novo presidente eleito.

Estamos pisando em território delicado, uma região que os políticos não gostam de sequer reconhecer a existência. Qual seja: da importância da parceira ou parceiro oficial do líder de um país.

Mas se alguém sussurrar o nome da imagem icônica (eta, adjetivozinho usado e abusado) de, por exemplo, Jacqueline Kennedy, a coisa fica mais fácil de entender.

Não é pequena a carga que uma primeira dama deve levar consigo a todas as horas e todos os lugares. Como se fosse aquela bolsa da sra. Margaret Thatcher, que, aliás, teve um grande "primeiro damo ou cavalheiro" ao seu lado, mas aí desviamo-nos para outros rumos mais complicados, menos viajados e que mesmo os pundits mais bem informados e brilhantes ainda não compareceram com um ensaio ou estudo no mínimo mais esclarecedor.

Fiquemos pois na questão das primeiras damas e continuemos na França.

O povão francês podia discordar em perto de 4% a favor de Hollande (não confundir com país ou família brasileira abastada em talento e formosura), mas uma coisa era certa e não passou por perto das pesquisas nem de intenção ou sonho de voto: quem era, antes do domingo passado, mais admirada: a prendada Carla Bruni, sucesso de disco, filme e capa de revistas femininas, ou sua rival, embora menos icônica (de novo), Valérie Trierweiler, caríssima metade de Xavier (é isso?) Hollander?

Pouquíssimas pessoas, à exceção das muito por dentro das coisas, sabiam que Valérie, carinhosamente conhecida pelos mais chegados como La Rottweiler, devido a seus modos elegantes, trajar esmerado e dedicação à profissão de jornalista, que cumpre com dedicação e empenho louváveis nas páginas da icônica (esse bicho não me solta) revista Paris Match.

Aos 47 anos, bela e elegante, Valérie já prometeu continuar a dar duro sete dias por semana na publicação, que, para ela, coisa inédita, obtém primazia. Acrescente-se à equação um poderoso galicismo: Valérie e Hollande não são casados, limitam-se, como numa "comédia de bulevar", a viverem sob o oloroso regime do concubinato.

Melhor para eles, que o socialismo militante tem dessas coisas.

Revoluciona assim, e assado também, no país irmão, aqui do lado, as funções de primeira dama, sendo a primeira de todas as suas irmãs de profissão a manter um emprego constante (nada de ponta em filme de Woody Allen com ela) com salário fixo sem direito a aumento só por ter se "casado bem".

Os franceses, quando querem, dão a volta por cima, sacodem a poeira e, de lá do fundo de seu memorável saco de surpresas, fazem saltar, quem sabe?, uma guilhotina ou um icônico (ó, Senhor!) "pretinho" da Chanel.

Ficará, pois, o senhor Jean-Luc Hollande a lutar pela austeridade, ou talvez contra este embuste político, adotará ou não severas ou brandas posições dentro ou fora do pacto social europeu, ou sandice semelhante, enquanto a seu lado, firme continuará brilhando como a estrela do Pinóquio de Walt Disney, La Rottweiller, ela também uma fada azul.

Ninguém notou, principalmente os gregos, que há muito deixaram de notar qualquer coisa de importante, mas nas primeiras horas da noite de domingo, 6 de dezembro, surgiu no firmamento político mundial um novo astro – este, sim – de primeiríssima grandeza.

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