Ivan Lessa: Uma Lady do arromba

Biógrafa (ou biógrafo?) da família real britânica causa escândalo para falar da mãe da rainha Elizabeth

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Lady, até outro dia mesmo, para mim era sabonete ou revista vagabunda que custavam dois mil-réis e só moça tola ou empregada usava ou lia.

Na passagem para residente deste país em que não existe mil-réis, mas proliferam as ladies ou dames, como títulos nobiliárquicos, seja por valores pessoais (Dame Judi Dench, Dame Maggie Smith), deveres políticos ou sociais cumpridos, a honraria mais comum vai para aquelas que são apenas mulheres ou filhas de lorde. Há um embaraço de riquezas e tolices entre elas.

Sigo fielmente, fascinado, as indas e vindas, as firulas dignas de um Messi em boa noite (nada que se assemelhe à da última quarta-feira), de uma Lady que escolhi para acompanhar com espanto e reverência, mas ao máximo que a distância e minha condição de plebeu, ainda por cima imigrante, permite.

Seu nome é Lady Colin Campbell. Lamento não poder reproduzir uma foto sua. Ela é a cara de sua vida e artes. Dou, na medida do possível, o que catei nos tomos informáticos que se preocupam com essas leviandades.

Lady Colin Campbell, née Georgia Arianna Ziadie na Jamaica a 17 de agosto de 1949 e conhecida em sua roda como Georgie. Escreve biografias e autobiografias, como todo cidadão britânico, além de romances, e é personalidade conhecida nos meios televisivos e radiofônicos.

Sua biografia "Diana, Princesa de Gales", subtitulada "A verdadeira Diana", além de outros livros sobre a Família Real, e também a elite internacional, vendem bem e ela promove-os com uma boa dose de sangue vermelho berrante.

"Georgie", para pegar intimidade, é descendente de maronitas católicos que emigraram do Líbano para a Jamaica em princípios do século 20.

"Georgie" tem um coquetel espetacular de sangue a lhe correr nas veias: inglês, irlandês, francês, português e espanhol. No bolo, deu uma zebrinha. Georgie nasceu com uma forma até hoje não explicada direito, nem por ela ou pela ciência: era, como está no meu Almanaque de Gotha, "intersex", no que deduzo, que chutava com as duas, tendo sido criada como menino até quase os 20 anos.

Aos 13, por conta própria, procurou um ginecologista para ajudá-la(o), mas os pais só autorizaram um tratamento quando ela/ele tinha 18 anos e trabalhava em Nova York como modelo.

Entrou no bisturi. O que lhe valeu chamar a atenção de lorde Colin Ivar Campbell, filho de Ian Campbell, 11º Duque de Argyll. Casaram-se em 1974, separaram-se em 1975.

Georgie tem dois filhos russos adotados e um belo chatô na Provença, França, além de uma casa aqui pertinho, em Kensington, Londres.

Por que está nos noticiários Lady Colin Campbell? Nada de muito grave. Só um pouquinho grave. Numa coletiva com a imprensa, que ela adora coletivas, disse que a mãe da atual monarca, Elizabeth, e aqui cito My Lady, "preferia não participar de certos aspectos da vida conjugal".

Peritos em questões relativas à monarquia, que são mais de 200 mil só aqui na capital, voaram para colocar em dúvida a afirmação. Chamaram de "mentira", juraram que a coisa não tinha um pingo de verdade.

Há uma imensa pausa grávida por parte da imprensa que aguarda, com prudência inédita, mais detalhes a respeito da questão que pode ou não vir a ser rumorosa. Nunca se sabe.

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