ISON: o ex-cometa do século ?

Por Alessandro Greco - especial para o iG* | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Astrônomos discutem se astro vai ser visto a olho nu (ou até sobreviver) quando chegar perto do Sol, em novembro

Nasa
Cometa ISON fotografado em 10 de abril pelo telescópio espacial Hubble

O cometa ISON nem chegou e pode já estar indo embora. Chamado de "cometa do século" após algumas previsões indicarem que ele poderia aparecer para nós tão grande como a lua cheia, o ISON pode até se desintegrar ao chegar perto do Sol. Quem afirma é o astrônomo Ignacio Ferrin, astrônomo da Universidade de Antióquia (Colômbia), que analisou dados recentes do cometa.

Vídeo: Nasa divulga imagens do 'cometa do século'

Segundo ele, o futuro do cometa ISON não parece “brilhante” e a explicação é simples. Pela forma como está se aproximando do Sol, irá chegar perto dele em uma região de mais de 2.700 Celsius, temperatura suficiente para derreter ferro e chumbo. Para melhorar a situação do ex-cometa do século, ele estará também dentro do chamado limite Roche, uma distância teórica do Sol calculada pelo astrônomo francês Édouard Roche que afirma que o núcleo de um corpo celeste (neste caso o cometa) pode ser partir se ele ficar tão perto de um outro (neste caso o Sol).

Leia as colunas anteriores

Apesar do ceticismo de Ferrin, a NASA está animada com a aproximação do ISON com o Sol, que deve ocorrer em novembro deste ano. Segundo Carey Lisse, chefe da Campanha de Observação do Cometa ISON da NASA, este é um “evento extraordinário”. E completou: “o cometa ISON irá nos ajudar a entender qual foi a receita para a construção do Sistema Solar. Cometas como o ISON são os 'ossos de dinossauro' da formação do sistema.” A excitação com ISON é fruto também do fato de ele poder conter os mesmos elementos fundamentais que levaram a formação da vida na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos.

Leia mais sobre cometas:
Descoberta aumenta número de cometas conhecidos fora do Sistema Solar
Cometas podem ter trazido água para a Terra
Nasa vai retirar amostras de cometas para entender criação do universo
Cometa sobrevive a encontro com Sol
Teorias astronômicas tentam explicar Estrela de Belém

Com as opiniões divergentes de Ferrin e Lisse só resta a nós, leigos, esperar para literalmente ver o que vai acontecer com ISON: se ele vai chegar ou vai se desmanchar antes disso.

*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viver melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT) .

Leia tudo sobre: ciência em fococometasespaçoastronomiaison

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas