Astrônomos discutem se astro vai ser visto a olho nu (ou até sobreviver) quando chegar perto do Sol, em novembro

Cometa ISON fotografado em 10 de abril pelo telescópio espacial Hubble
Nasa
Cometa ISON fotografado em 10 de abril pelo telescópio espacial Hubble

O cometa ISON nem chegou e pode já estar indo embora. Chamado de " cometa do século " após algumas previsões indicarem que ele poderia aparecer para nós tão grande como a lua cheia, o ISON pode até se desintegrar ao chegar perto do Sol. Quem afirma é o astrônomo Ignacio Ferrin, astrônomo da Universidade de Antióquia (Colômbia), que analisou dados recentes do cometa.

Vídeo: Nasa divulga imagens do 'cometa do século'

Segundo ele, o futuro do cometa ISON não parece “brilhante” e a explicação é simples. Pela forma como está se aproximando do Sol, irá chegar perto dele em uma região de mais de 2.700 Celsius, temperatura suficiente para derreter ferro e chumbo. Para melhorar a situação do ex-cometa do século, ele estará também dentro do chamado limite Roche, uma distância teórica do Sol calculada pelo astrônomo francês Édouard Roche que afirma que o núcleo de um corpo celeste (neste caso o cometa) pode ser partir se ele ficar tão perto de um outro (neste caso o Sol).

Leia as colunas anteriores

Apesar do ceticismo de Ferrin, a NASA está animada com a aproximação do ISON com o Sol, que deve ocorrer em novembro deste ano. Segundo Carey Lisse, chefe da Campanha de Observação do Cometa ISON da NASA, este é um “evento extraordinário”. E completou: “o cometa ISON irá nos ajudar a entender qual foi a receita para a construção do Sistema Solar. Cometas como o ISON são os 'ossos de dinossauro' da formação do sistema.” A excitação com ISON é fruto também do fato de ele poder conter os mesmos elementos fundamentais que levaram a formação da vida na Terra há cerca de 3,5 bilhões de anos.

Leia mais sobre cometas:
Descoberta aumenta número de cometas conhecidos fora do Sistema Solar
Cometas podem ter trazido água para a Terra
Nasa vai retirar amostras de cometas para entender criação do universo
Cometa sobrevive a encontro com Sol
Teorias astronômicas tentam explicar Estrela de Belém

Com as opiniões divergentes de Ferrin e Lisse só resta a nós, leigos, esperar para literalmente ver o que vai acontecer com ISON: se ele vai chegar ou vai se desmanchar antes disso.

*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viver melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT) .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.